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Do caso da bala soft a outros engasgos.

Publicado por joelrogerio em Fevereiro 7, 2007

 “Aquele que conseguir, em meio à mais intensa cólera, sentir a própria respiração, será o que tem o mais alto poder de conquistas em suas mãos.” ®

Tipo avestruz

Certa vez, é era um quente dia, numa época distante em tantas manhãs e tardes, que nem sonhávamos com aquecimento global (eu disse sonhávamos?), meu Vô, o Seu Melquíades, trouxe da “venda” algumas dessas balas softs: redondas, coloridas e havia até transparentes – eram mais duras que rapaduras. O calor excessivo fez com que elas, embrulhadas em papel de pão, ficassem meladas e grudentas. Aquelas delícias redondinhas, cada uma com sua cor. De olhar já dava gosto. Caí dentro. Incauto, engoli uma sabor de uva – a minha preferida – e quase por causa disso, não vi chegar os anos 90. A partir dali, odiei e as alcunhei de “tampão”. Foi aterrador ficar com mãos meladas e com uma coisa sufocando, entalada, bem lá dentro da garganta, privando-me do ar. Aquilo foi para mim, tão horroroso quanto as balas perdidas e estupidamente gratuitas de hoje em dia. Balas soft – aquilo fora feito para matar as crianças. Só podia! Não soube de caso. Mas é lógico que houve.

Depois do sufoco, em que se passaram anos desse entalamento de goela e de mãos besuntadas e grudentas, tive uma impressão do episódio: ainda bem que perdi o gosto por aquilo – chupar, chupar, chupar e chupar um aperitivo tão duro e docemente ameaçador, poderia ter criando em mim, inocente criança então, certas condicionantes, ou injunções de ordem pessoal, que talvez hoje eu fosse uma prova, um elemento do espaço amostral, para justificar estatisticamente, que se Deus tivesse criado para o tal jardim do Éden, Adão e Evo, e não Adão e Eva, a idéia de paraíso não se perderia das bem-aventuranças.

Mas, calo-me aqui. Daqui a pouco me engasgo e fico grudado em “armadilha” conceitual-semântica, em um embaraço de idéias tentativamente verbalizadas.

Daí vão achar que eu seria a serpente melenta do Éden, que se arrastava no jardim, lá pelas virações do dia, maledicente e sagaz , que a pretexto de abrir os olhos do homem e da mulher, para serem conhecedores do bem e do mal, estaria a engasgar e a sufocar o razoável – oferecendo o fruto da árvore da ignorância: o preconceito. O que não. A verdade é que o meu desejo é só diversão. Ela me governa e me é quase irresistível não fazer um comentário sexista, mesmo que possa parecer politicamente incorreto.

Há saudosista que “ama de paixão”, a tal balinha soft. Chega dar até medo! Que seja assim, não se reprima, não se reprima… Deve-se ter o cuidado de não se engasgar.

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