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Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves…

Publicado por joelrogerio em Janeiro 19, 2007

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Se a vida lhe virar as costas, passe a mão na bunda dela.
Maguila Moreira em homenagem a Ruben Alves
Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves… Todos atentos olhando pra TV! Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves… Uma historinha bem gostosa de se ver! E tinha o seu Madruga, o Kiko, a Chiquinha, Dona Florinda, o professor Girafales, Nhonho, seu Barriga, e pra não ficar citando tanto, paro na Dona Clotilde, a bruxa do 71.

Podem me achar ridículo (ridículo mesmo é quem não é feliz), mas o Seu Madruga mandava uns “papos maneiros”, e eu não via coisa de maior valor: “Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar”. “Quando a fome aperta, a vergonha afrouxa…” “A vingança nunca é plena: mata a alma e a envenena”. E pra não ficar citando tanto (de novo), paro numa divertidíssima: “Dá uma licencinha que o Madruguinha vai tomar um cafezinho”. Pois aquele menino pobre e órfão que morava num barril, numa vila em que todos os personagens eram em maior ou menor grau, pobres, enriqueceu de alegria muita gente que não tem alma pequena, nesta esta América latina. Mas agora aparece um outro Chaves na TV. Acho que vou comentar um pouquinho sobre ele (“está bem, mas não se irrite!”). Pois o coronel Chavéz também já teve um “poquito” da minha simpatia, principalmente porque as classes dominantes da Venezuela, e o governo dos EUA, que considera a América Latina como seu quintal, nunca aceitaram o tenente-coronel Hugo Chávez no poder. Fato que me trouxe simpatia ao Coronel, foi a resistência popular à tentativa golpista, liderada por Pedro Carmona que defendia uma política de interesse próprio, intimamente ligado aos Estados Unidos. Mas não teve pra ninguém, a voz do povo Venezuelano colocou os cachorros para fora a gritos e o Chavéz voltou ao Palácio Miraflores.

“Pi, pi, pi, pi, pi, pi…” (choro). Deu agora, o Senhor Chavéz, para abelhudo, para mandatário da América Latina. Metendo a mão em tudo (melhor que se escondesse num barril). Não bastasse o incidente com Vicente Fox, presidente do México, arrumou confusão com o Peru. Pois o Presidente da Venezuela reservou a Alan Garcia, insultos que nem moleque de rua faz a outro: “Corrupto. Sem vergonha. Ladrão. Ladrão de rua”, discursou Hugo Chávez. E ameaçou retirar o embaixador de Lima se, disse ele, “por obra do demônio”, García vencesse Ollanta Humala no segundo turno, e pra arrematar a sua inconveniente arrogância, emendou: “Como poderia conversar com um presidente enquanto ele fica de olho na minha carteira?”, perguntou Chávez, acusando García de ser ladrão. E teve aquela proposta do Chavéz de construir um gasoduto saindo da sua Venezuela, passando pelo Brasil de norte a sul, até a Argentina, e ele com a mão na torneira do gás. “Acabaria com a pobreza e tiraria os meninos da rua em São Paulo, Rio, Caracas, Buenos Aires – esse é o argumento dele. (Engraçado, se não me engano o custo deste gasoduto seria de 40 bi). Como diria “o meu Chaves”: “Que burro, dá zero pra ele!”

Reeleito para o seu terceiro mandato, prometendo metrô e investimentos em saúde, Hugo Chavéz anunciou no discurso de posse que transformará a Venezuela num Estado socialista. “Pátria, socialismo ou morte. Juro”, cunhou ele. Desonestidade, astúcia pura. Nem na China se fala mais em socialismo. Num ambiente de crescentes incertezas que se tornou a Venezuela, nenhuma empresa privada tem ânimo de investir. O que resta a Chavéz é estatizar. Por trás do socialismo chavista há o golpismo que fere de morte a democracia. Ou alguém já conseguiu conceber socialismo com democracia? A malandragem do coronel já começou a deixar até os seus eleitores fanáticos assustados e a com orelha em pé.

O Chávez é muito diferente do menino Chaves, que passava a maior parte do tempo atormentando a vida da vizinhança, mas não como o outro, pois era brincando, e era sem querer querendo. Mas a verdade é que ninguém tinha paciência com ele. O garoto do barril também era um menino sonhador, amigo e companheiro de todos. Sempre procurava ajudar aqueles que passavam por dificuldades, mesmo muitas vezes não tendo meios para fazê-lo. Em alguns episódios ficava clara a solidariedade com a pobreza de Seu Madruga, e não é raro vê-los compartilhando sanduíches ou mesmo um refresco. Pena que era apenas um seriado na TV.

Agradeço pela leitura deste texto. Assim não posso dizer “Ninguém tem paciência comigo!”

Esse texto foi publicado originalmente no jornal “O Colatinista”, de 18 de janeiro de 2007

Música: Gente Humilde, Artista: Maria Bethânia

Blog Jesus me Chicoteia: Sem fé, mas um dos melhores da blogosfera.

Vídeo: Abertura do Chaves

Vídeo 2: Hugo Chavéz estarra George Bush, o “Mister Danger”. Tudo num inglês impecável!

Vídeo 3:* Celular multitarefas - Hilário!

Uma resposta para “Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves…”

  1. 6411333 disse

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