Publicado por joelrogerio em Novembro 29, 2006
Um homem só é nobre quando consegue sentir piedade por todas as criaturas”. – Buda (563? – 483? A.C.)
Noite fresca. 22 no máximo. Nem uma alma viva ou desencarnada por perto. Não tenho cansaço de corpo. Olho pro breu do céu. Nossa, quanto tempo não reparava esses pontinhos brilhantes no firmamento – cintilância das estrelas – não era vagalume. Vai bem um travesseiro no piso duro. Deitar na varanda. Na varanda dá pra deitar e ficar feito uma coruja – feito a coruja que pousava lá pelas altas horas na antena da sky, bem tranqüilona, circunspecta. Delibero esquadrinhar as estrelas, de barriga pra cima – Assim não há perigo, barriga pra cima, calmo, calmo. Ah garoto! As três Marias não precisam de apresentação, figuras fáceis deste céu antigo – estavam lá dando, como sempre, aquele mole. Eu sabia, pelo Seu Melquíades – meu vô muito doidão, que Deus bem o tenha – que as três Marias formam o cinturão da constelação de Órion, o caçador. Segundo a lenda – dizia o velho, Órion estava acompanhado de dois cães de caça, representadas pelas constelações do Cão Maior e do Cão Menor. Por mais que me esforce eu não consigo ver a configuração de estrelas do tal Caçador, tampouco a dos seus cães. Vi uma estrela de um fulgor maior, possivelmente Sírius, a estrela mais brilhante do céu, e facilmente identificável a sudeste das Três Marias.
Esse negócio de olhar o céu procurando caçadores, cães, as Marias, deu-me a doer a costela – estou um pouco magro. Recordo-me da coruja da antena Sky, a coitada que me encantava todas as noites, fora devorada pelo dócil gato daqui de casa. O peste do bicho tem lá o seu potinho de ração sempre cheio, mas só deixou as penas de lanugem felpuda pra eu ver.
Não. Parece que por esses dias não é negócio mergulhar nas estrelas do céu de meu Deus. Já bastam os muitos cães e caçadores daqui deste chão de meu Deus a me espreitarem. Mas salvem as Marias. Não nos incomodam – muito, muito pelo contrário. Hoje eu quero ser gato dos de sete vidas e não coruja. Ah, se eu fumasse pitaria um cigarro. Uma brahma não vai? Não, agora sou um gato, vou aliviar minhas tensões afiando as minhas garras no seu sofá. É bom você ficar sabendo, desde logo, que gatos sabem usar unhas e dentes muito bem – olha que avisei! Por isso me trate com afeição – ninguém quer uma cicatriz na cara. Mato cachorro a gritos. Não custa nada um carinho, custa?
♪ Você se lembra desta canção do Richard Sanderson? Reality
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Publicado por joelrogerio em Novembro 27, 2006
O sacerdote e o levita passaram ao largo da vítima do assalto ( da bíblia dos cristãos – Lc 10).
Lá de cima alguém notou ao longo da paisagem verdejante, desnastrada pelas intermitentes chuvas do novembro, um entalhe no relevo contrastando o verde com ocre. Perguntou sussurrando, aos que estavam a seu lado, se era aquilo o corte do morro para abrir a estrada do contorno à cidade. Ninguém falou senão o pai nosso. O silêncio pedia-se. Naquele instante a ausência de outras falas era uma necessidade, uma exigência para que o homem religioso cumprisse o seu ofício: palavras de consolo e pai nosso, para descer à campa, o corpo daquele homem que todos achávamos bom e que a sua morte fizera a mim e a outros chorar. A resposta à pergunta sobre a estrada teve que esperar.
Quando o rito acabara, por um esforço de fé ou talvez por uma natural defesa para esquecer que não havia um porto seguro para aportar, respondi ao caro rapaz, que era bela a estrada que atravessava aquele longínquo morro. A pista era um brinco, perfeito pavimento asfáltico, e era muito larga também, boa de andar no automóvel, bonito para ver. Mas outro veio e disse que apesar disso, era sinuosa e que seus declives e aclives breves, ajuntados à imprudência e negligência dos motoristas, ceifaria muitas vidas.
Então mesmo aquela nova via, que me parecia um itinerário confortável, passou a ficar bem só em fotografia. Mesmo dentro do cemitério e carregando o pejo da angústia, quis ser moleque e falei ao chefe que o trenzinho que carrega a molecada pelas vias da cidade, não poderia nem pensar em rodar por lá, então. Ele me disse que eu deveria ter cuidado (ele sabia que eu houvera denunciado o tráfego do
trenzinho ao ministério público). Eu achava que havia risco para a criançada. A turminha passeava solta, sem cintos, em horários de trânsito intenso. Isso ia frontalmente contra a educação de trânsito, que se deve dar aos pequenos. Deus nos livre e guarde, vai que um caminhão, ou qualquer veículo colidisse com eles, iria voar criança para longe! O chefe mais uma vez me admoestou: ” cuidado rapaz”. Pensei comigo: “imagine se ele soubesse que o dono do brinquedo motorizado, seguira-me de motocicleta por duas vezes, até o portão de entrada do trabalho, e para que eu pudesse vê-lo, ao adentrar o portão, ele do lado de fora, tirava o capacete para que eu o reconhecesse.
Voltando a falar com o chefe, buscando em mim uma a raspa de um humor requentado, disse-lhe que poderia ser eu o próximo da turma a vir para o descanso eterno daquele campo santo. Viria pela compulsoriedade de uma bala no peito. Ele, como um tutor, pediu pela terceira vez que eu tivesse cuidado. Falei: cuidado eu tenho, só que já me morreu o medo. E que se fosse para viver com medo neste mundo, preferia a campa. O chefe arregalou os olhos e não falou mais nada até sair do cemitério.
Está certo, sou “um bosta”, não nasci para ser herói – sou um tanto patético, não me acho bonito e nem sou bom. Já usei uns creminhos na cara, até já tentei ser um cara legal, mas às vezes nem sei o que falar, tenho uma mesquinha vergonha de falar “eu te amo” (fico sempre com pé atrás). Mas a praga da indiferença, com seu poder avassalador, companheira doentia do dominador e opressor, também dos que preferem as desigualdades, a violência, o ódio e a morte. A esta não sucumbirei. Os indiferentes, de uma forma ou de outra, ferem, rejeitam, excluem, matam. Está correta a conclusão: o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença. O exercício saudável da cidadania é um milagroso remédio contra o mal da indiferença, envolvem-nos com o sofrimento do outro e com a alegria de todos.
Aquelas estradas longínquas, com seus bonitos pisos de asfalto, ladeadas de vistosos arbustos, poderão ser sim, caminhos confortáveis. Haverá jeito. Haverá jeito!
¤Vídeo, November Rain: A great performance of the Guns N’ Roses classic with Elton John and a symphony orchestra.
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Publicado por joelrogerio em Novembro 24, 2006
O Ormigrein ainda não dera o efeito. A latente enxaqueca que me atazanou toda tarde, fazia-me agora à noite, um miserável. Não quis fazer como os elefantes, que se isolam para encontrar a morte. Arrumei uma cadeira espalhafatosa, dessas de lona, para praia e pus-me no centro da sala cheia de família. Todos falavam. Todos somavam suas vitórias. Notei o velho inquieto, sedento de atenção. Era. Ele fazia piruetas com a dentadura dentro da boca. Era o “plimplim” para que se transformasse daquela forma surrada no cavaleiro forjado. Começou de mansinho, quando alguém falou cabrito. Não sei porque alguém falou cabrito. Não me interessava. Mas ao velho não. Ele tomou a palavra cabrito e desfiou a estória…
“Naquela época, nesta cidade que está aí, só havia um médico que clinicava. O povo todo consultava com o doutor Luiz Rodrigues. Vinha gente de todas clareiras de mata. O meu pai tinha um mal no estômago, tão ruim que não podia andar. O único cavalo que tínhamos fora vítima das pessonhas de uma
surucucu e de má sorte estávamos a pé. De Patrão-Mor até a sede, de perna, é pra dias. Pois calcei minhas botas de couro cru, ajeitei o velho nas costas e toquei pra cidade. Só dei uma pouca parada na casa do Germano. O Doutor Luiz Rodrigues nos atendeu bem. Disse que meu velho devia repouso e receitou que ele só deveria comer guisado de cabrito. “Cabrito, mas bem maciinho”. Trouxe o velho pra casa, desta vez não parei sequer pra gole d´água. Tempo daquele ninguém criava cabrito, precaução. Ninguém queria cevar onça. Cabrito, nem pra remédio. Olegário Damascena, que morava numa ilha do Rio Doce, lá na altura do Papagaio, tinha uns. Fui lá. E era longe. De pernas, era dias. Trouxe o bicho, “vivinho da silva”, berrando, isca de onça, no lombo. Tive de passar matas sem estradas que cobriam morros e vales, águas sem barco. Mas o bicho veio. Eu não tinha medo de nada, nem de assombração.”
Todos na sala sequer piscavam, imóveis, bons ouvidos. O velho satisfeito com a platéia, disse – “quanta coisa já fiz nesta vida que já estou velho”. E sentindo que tinha audiência para mais, emendou mais uma. “assombração naquela época tinha centos”. Antes que ele prosseguisse, o encarei de enxaqueca, falei: ora, o senhor não está velho não. Velhos não são dados a contar mentiras. Todos riram de rir, ele também e eu ri postiço. O velho perdeu a vez de falar e continuou a fazer malabarismos com a dentadura.
♪ Jota Quest: Ela me faz tão bem
♠ Blog dos melhores: MadTeaPart – Tem um agradável tom pessoal sem ser chato.
Θ Vídeo: Uno entre 10 argentinos
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Publicado por joelrogerio em Novembro 20, 2006
“nós gostamos de bobagens, mas temos uma queda pelo amor” – Chandler Bing
Veio o Luís, e diferente de quando transborda-se de alegria de ter 17 anos, me pergunta meio baixo astral: “Rapaz que negócio é esse de trabalhar sábado à tarde?” Respondo que é preciso às vezes em finais de ano. Temos que fechar o ano financeiro, há matérias oficiais a publicar, empenhos por fazer, caralho-a-quatro. A resposta dele é “caramba, mal, mal!”. E me pede “Ô mestre Joel, não vá trabalhar no natal, viu?” Fez-me lembrar de que estamos às portas do natal.
Luís vai-se em silêncio sem esperar mais de mim. Intimamente desejo-o um feliz natal.
Putz, daqui a poucos dias será o aniversário de um Deus que veio para ser bom como as criancinhas!
Blog Bacana:
Procurando um amigo
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Publicado por joelrogerio em Novembro 17, 2006
Jardim da Penha, hora da Ave Maria, Sexta – 16 de janeiro.
Chove por toda a extensão aonde meu faceiro olhar chega e minha alma em sonhos alcança, como chovera ontem, anteontem e noutros dias deste pluviátil janeiro como o dos tempos do bíblico dilúvio do velho Noé com sua arca. A tevê mostra as calamidades em Vila Velha: gente juntando os trapos e correndo da enchente em desespero. No Soteco, até calango boiando as câmeras registram.
Aqui no mundo do meu apartamento, sinto uma discreta satisfação pela malhação que pratiquei ao fim desta tarde na academia do Sesi. Já percebo o tônus muscular, já é saliente o meu muque . O tórax abre-se como o de um alazão campeão. Chego a sonhar caminhando na praia de Coqueiral, num encantado dia de muito sol, peitoral aberto ao vento. Aí inevitavelmente ocorre-me a “dita cuja” acelerando o meu já acelerado vadio coração. No apartamento do outro prédio as simpáticas “doidinhas” curtem músicas do Latino com todo o volume e excitação. Inevitavelmente ouço. Poderia até ser pior se fossem as músicas do “A-teens” que o Godão gosta mais do que tomar Bohemia no “Lamas” ou de estar com os Biase. Lembro-me de o ter tolerado numa ida e vinda de Colatina a Coqueiral, ouvindo aquela “bandinha Sueca de merda”, que é uma mistura de N’Sync com Britney Spears. Ouvi dizer que dia desses, ao pagar o pedágio para atravessar a terceira ponte, o Godão abriu os vidros do possante Goldão, abdicando do ar condicionado, para sentir o seu hirto cabelo livre ao vento, ouvindo no Cd player “Halfway around the World”, uma das porcarias de músicas dos Suequinhos. Os olhos dele, que sempre revelam um talento para crueldade, transformaram-se em expressão de candura de criança – pelo menos foi isso que o Zé Gleyson me contou. Não entendo como o Godão, que completou vinte e dois anos agora no dia dez, pode gostar de coisa mais adolescente.
Chove e parece que pelo país inteiro, pelo mundo inteiro. A música do latino ecoa do “Apê” das “doidinhas de pedra”: “… Você é a coisa mais bonita que já me apareceu. Quero ter você em minha vida pra sempre eu vou querer. Esse teu jeitinho me fascina, me faz enlouquecer…”.
Não quero mais pensar nela. Lembrar-me do dia em que a conheci na porta do cursinho pré-vestibular Up, dia do começo do nosso affair. Como a música diz, o jeitinho dela me fez enlouquecer. Onde está ela agora? Será que pensa em mim? Sou capaz de enfrentar uma nuvem de mosquitos graúdos em Coqueiral para tê-la comigo. Que nada! Tenho o controle da situação! Não estou enamorado! E se ela for estudar engenharia em Viçosa? Com tanto gavião por lá… E se ela conhecer o Suela? Bom, com o Suela não rola nada porque ele gosta de meninas meio pretas ou meio brancas ou bem escurinhas, e ademais ela não vai querer um cara descarado como o Suelinha, que mal mal presta para tomar conta da churrasqueira. Acho que vou ter que tomar umas caipirinhas no bar do Alemão. Não, vou acabar arrumando confusão com aquele “Lemão” que é um “Burro Velho”. Acho que vou ligar pro Delmo Manso Guidoni ou pro Kiko Casoti ou pro Godão Brabeza. Tanto faz, é tudo farinha do mesmo saco. Não vou ligar não. De repente ela liga e dá ocupado. Vou tirar o telefone do gancho, só para me provar que não me importo com ela. Passo a mão na cabeça. Sinto um calombo na moleira. Um galo!? Não lembro de ter me machucado, talvez tenha sido na academia. Será? Porque este calombo? Estou no controle. Que onda! “Thurururu thururu não resisti tô afim.”
♪ A Cor do Som – Menino Deus.
♠Tiro na Nuca – Show de blog
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Publicado por joelrogerio em Novembro 16, 2006

Tenho dúvidas como dois caminhos
Mas, dois caminhos são belos.
E sempre me lembro de como é hoje
Porque temos a idade de viver,
E é agora que a vida se revela.
Deixei um bilhete em forma de poema
Em todo lugar onde estive
Mas como ninguém lia,
Nem por isso fiz dilema.
Escrevo outros como a presente alegria.
E é bom rir como deveriam fazer os anjos.
E olhe: somos mais que fotografias
Porque amar não sai nelas.
Quem é jovem o suficiente para ter o futuro?
Os jovens que envelhecem, o pretérito sua vida sela.
As feições, quimeras, só dizem aparências
Àqueles que conhecem como uma dádiva o presente,
Pois se regem numa juventude para sempre.
♪ Casinha Branca : Gilson (Eu tenho andado tão sozinho ultimamente, que nem vejo em minha frente nada que mê dê prazer…)
♠ Blog Terapêutico: Terapia das Palavras – a psicanalista Maria Rachel analisa a jornalista tagarela que é ela mesma.
¤Vídeo Baby Boy Kid knows what’s good for him.
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Publicado por joelrogerio em Novembro 10, 2006
Sonhar é acordar-se para dentro. (Mário Quintana)
Quarta de cinzas. Tudo aqui é agora um vazio de carnaval. A única sombra ou resquício de folia, se assim pode-se dizer, é o palanque, ainda cravado, próximo à praia, onde eram os shows, a espera do desmonte. Não mais estavam aqueles que até escambar o dia, bebiam, dançavam, gargalhavam, namoravam-se e até brigavam (os loucos).
Minha cabeça não dói. Bebi, é claro que sim. Mas minha cabeça não dói. E essa estória que de bêbado não tem dono, não serve pra mim.
A praia, agora de poucos, é lustrada por um sol impenitente, e bordada pela espuma que se derrete ao quebrar das ondas, que me faz lembrar do sonrisal que tomei ontem. Faz festa à vista. Prego uma mentira pro Mestre pra ele se entreter e assim parar de regurgitar essa estória de destruição do litoral, pela elevação das marés. Digo-lhe que o Super Calangão não viera conosco, pois estava num relacionamente ”dirty” com uma ricaça, que o levou numa Hilux quatro por quatro, para Guarapari. – Ela é tão rica que nem toma água, só uísque treze anos – Ele ri e nem questiona os treze anos. Sei que por boas frações de horas, ele ruminará esta estória fajuta. Fico em paz pra lembrar da pândega e das pessoas que deixam as brincadeiras ainda mais divertidas na folia, fazendo assim um “upgrade” no nosso emocional.
Observo o horizonte do mar, retilíneo. Um barco de pescadores surge na cena, quase sumido e cria um ângulo de felicidade. De súbito tenho vontade de caminhar até aquele longínqüo barco. Caminhar por sobre as águas. Que doideira! Será o sonrisal? Sou apenas um comedor de feijão e às vezes de lentilha. O máximo que poderá ocorrer com uma tentativa é eu boiar, inchadão, dias depois. Milagres fazia a carteira do Meninão do Guaporé. Carteirada neles, meninão!
Não é original essa minha idéia de andar por sobre as águas, mas se imagine andando sobre um mar encapelado, ou mesmo sobre o Rio Doce, com suas marolinhas!!! Será o sonrisal?
É, mas um camarada – conta-se e reconta-se – andou sobre um revolto mar da Galiléia. Mas ele não homem de verdade – era um Deus. Um certo Pedro quis fazer o mesmo, e até andou, mas quando lhe faltou a fé, começou a submergir feito pedra. Sorte dele que o Deus estendeu-lhe a mão, prontamente.
Certa feita, fiquei puto da vida com este Deus. Pedi-lhe um milagre. Queria que ele também me estendesse a mão, afinal era o único Deus que tinha vez lá em casa. Pedi que aquele menininho de oito anos não morresse. Era um menino tão bom e inocente, me dava a maior moral e dançava “dancing queen” comigo na sala. Eu queria mesmo ser um cãozinho que pudesse comer as migalhas do banquete que caíssem da mesa daquele Deus e dos seus. Mas afundei. Não tive o milagre. Faltou-me fé? Não sei.
Tenho ponderado as coisas. Tenho visto corpos nas pistas e tragédias dantescas mais. O que dizer da tsunâmi? Pobre Indonésia, paraíso das desgraças.
Se este Deus teve de morrer de maneira cruel e desumana, se esse Deus teve de comer o pão que o diabo amassou com o rabo, tenho que aprender a me conformar com as vicissitudes humanas. Talvez o Deus tenha morrido e ressuscitado pra isso: nunca perdermos a esperança.
Esta estória me deixa melhor. Por isso que me alegro até quando o destino me faz encaixar a orelha no bocal sem lâmpada, da banca de caipfrutas, quando tentei me esconder da chuva, levando um choque elétrico de ver estrelinhas ao redor.
Concluo que não preciso andar por sobre as águas (literalmente). Preciso correr nesta areia. É o que tenho agora, e ademais a pança está saliente…
Só não consigo é dançar sozinho na sala.
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Publicado por joelrogerio em Novembro 8, 2006

O bichano
Que
De vez em quando
Vem
E manso,
A roçar minhas pernas,
Os olhos claros dele,
Parecem sem fundo,
“Cat’s gaze”.
Esse bicho em casa é simples.
E tem sete vidas.
E gentes às vezes sem,
Que sabem tanto…
Até amar de aranhões.
Eu nunca vou jogar o gato na água
Só para ele sentir frio.
Banda Catedral, música: Por Amor
*[Blog de conteúdo]: Blog do Rafael Galvão, O blog da opinião tiro e queda.
۩ Comunidade “Eu leio as Crônicas do Joel”, no orkut.
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Publicado por joelrogerio em Novembro 7, 2006

Uma garrafa é só uma garrafa,
Uma garrafa é só uma garrafa,
Uma garrafa é só uma garrafa,
Porque não encontro em seu bojo vítrio,
Um bilhete náufrago.
Peter Frampton: Baby i love yor way
Blog da hora:
Uivemos!: A presença do cidadão na vida da sociedade
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