“O grande homem é aquele que não perde o coração de criança.” (Mêncio)
Meu amigo Jefferson, Jeff para os íntimos, sempre foi desses que desconfiava de tudo e de todos, até dos amigos. Se alguém lhe contasse um causo, ou um fato histórico, o que quer que fosse, sempre que lhe interessasse, ele ia confirmar nos livros ou com outras pessoas. Dizem até que uma vez ele armou uma arapuca na sala pra ver se capturava algum gnomo, desconfiado de que realmente existiam, mas só pegou um calango gigante que acabou adotando como seu animal de estimação, aliás, um belo calango que conheci por fotos.Houve um tempo em que o Jeff andava tão comprometido com as suas desconfianças,que chegou a cogitar a possibilidade de só ele existir de verdade, as outras pessoas seriam apenas fruto de sua imaginação – devo confessar que por volta dos meus onze, doze anos, cheguei a pensar nisso também – desconfiando, assim de toda a realidade que o cercava, inclusive do calango gigante. O tempo passou e o Jeff percebeu que era muito complicado convencer as outras pessoas disso e a ele mesmo e abandonou essa teoria difícil, mas tentadora. Tudo ia bem entre os dois até o dia em que o Jeff foi trabalhar e esqueceu de alimentar o Calango. Antes isso nunca havia acontecido. Aí foi o motivo para a tragédia. Logo que o Jeff chegou do trabalho notou que o Calangão estava meio inquieto, ficava pulando, batendo na porta, parecia estar apavorado. Notando tal agitação, Jeff abriu a porta rapidamente e começou o massacre. Uma luta quase inimaginável entre um ser humano e um calango. Luta não, o ser humano não teve chance, como já disse foi um massacre. O Calangão devorou o Jeff. Após isso tudo, o Calangão, que era um ser super inteligente, foi ao cinema assistir à
Dizem que o Calango foi visto recentemente, com um sorriso cativante e também vento na cara, dentro de um Toyota Solara Convertible vermelho de rodas largas e confortáveis poltronas de couro legítimo, trafegando pela orla de Camburi, a palitar os dentes!



