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Posts de Julho, 2006

Um Nego de Respeito.

Publicado por joelrogerio em Julho 31, 2006

Fenemê

“Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo:hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.”
(Carlos Drummond de Andrade, em “NÃO SE MATE“).

“Um preto de respeito”. Assim que falavam os antigões, lá do Bananal, quando queriam elogiar o nego Diomar. Naquela época eu era um menino, e raquítico também! Achava legal que dissessem assim do meu padrinho. Hoje, armado de moralidade, sinto um quê de (arg!) preconceito na frase. Que falassem que o nego Diomar era legal porque “nunca fora preso à toa!”. Assim haveria um pouco de bom humor que contraporia àquela idéia preconcebida de excessão. Era assim, e ainda é! Só não dá para perdoar quem desfralda uma bandeira ao vento.

Num dia como esta segunda-feira, ensolarado de dar gosto às vistas, depois de um “chuvaréu” de ensopar pasto, subíamos a estrada que levaria à localidade de Primavera. O fenemê fazendo a combustão do diesel assombrava a nesga de mata que sobrava entre os cafezais, com aquele ronco ensurdecedor do motor. Uma estrada tosca e íngrime. No topo o padrinho parou o caminhão com a desculpa de tomar um gole d’água. Descemos da cabine. Verteu a água goela abaixo, com cuidado para não tocar o beiço na boca da moringa. Satisfeito, tornou-se circunspecto, pondo-se a olhar lá de cima o vale onde corria o córrego Blay. Uma pequena casa de meeiros, circundada de um lado do córrego por grandes moitas de bambus, taboas e um pouco mais adiante por um pasto crivado de pontos brancos. Era o gado nelore da propriedade. – um dia vou ter um terreninho para plantar e colher, sem ter que puchar tora para serrarias…

O que é a memória afetiva? Lembro-me disso muito bem, apesar da idade tenra!Há poucos dias, estive no Bananal e quis saber do Diomar. As informações que tinha até então, era que se tornara um pequeno proprietário rural. Mas não foi isso que confirmaram aqueles que o conheceram. Disseram que estava com a família num acampamento de “sem terras”.

Lamento que este relato não tenha um final feliz. Se bem que como dizia o poeta: “ainda estão rolando os dados. O tempo não pára, não pára”. E para completar: “gente nasceu para brilhar”, preto, branco, mulato, amarelo, verde, verde limão, pêssego suave… A vida pode ser como nas novelas da tevê!


Ana Carolina & Seu Jorge: É isso aí

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Domingo nublado numa cidade boleira.

Publicado por joelrogerio em Julho 17, 2006

“Tatu não vê a lua…” ( João Guimarães Rosa, no texto “ A menina de lá”)

O Rio de Janeiro continua lindo. E hoje, um domingo nublado, está mais incontestavelmente bonito do que nunca. Vai ter mais um jogo no Maracanã. Ôpa, melhor, não será mais um jogo no Maracanã: É Flamengo e Vasco. As duas maiores torcidas – clubes de multidões Brasil afora. Um nascido elitista e que caiu nas graças da massa, o outro nascido no povo e continua o pendão de milhões. Rio não há igual: É o único lugar onde a Copa não acabou. Estes dois grandes rivais retornam, na quarta-feira, ao grande templo do futebol, para a primeira batalha da decisão da Copa do Brasil (para muitos dessas torcidas, o título para seu clube é mais importante que um hexa da seleção brasileira, que agora é a seleção de Cafu, Roberto Carlos e Parreira).

Mas há uma outra cidade, a umas 415 milhas daquele Corcovado com seu Cristo Redentor – não tão distante, se considerarmos a dimensão continental do Brasil – uma cidade que também ostenta o seu monumento de Cristo de braços abertos sobre um rio, um rio mansamente a deslizar as suas águas vindas das Minas Gerais. A graça da cidade? Colatina. Com o seu rio chamado Doce, que a soma em duas partes.

E daí? Não, não tem essa de e daí! O caso é que renasce nesta cidade de gente boa, um clube de futebol, que nas priscas eras de chumbo – diziam os mais velhos – tratava com esmero o “balão de couro”. A turma mais atenta que freqüenta o Gatão, e que bebe pra não perder o juízo, já deve ter visto um quadro em branco e preto com a foto de um time de futebol de camisas listradas verticalmente, um tanto Botafogo, ou Atlético Mineiro, como queiram – pois este é o Clube Atlético Colatinense. E que hoje já não veste “shorts” tão apertadinhos como na foto.

O almoço fica pra mais tarde. O jogo está marcado para as dez e meia. É segunda divisão do campeonato capixaba, a torcida não se pode dar ao luxo de horário para comer. Convidei o meu irmão mais moço e a minha cunhada para irmos, eles são fanáticos por futebol, mas a Lívia tinha chegado há dois meses – um bebê muito tenro para freqüentar o municipal “Justiniano de Mello e Silva”, ainda mais que o Coutinho dizia na Difusora que uma nuvem passageira semeava uma chuva miúda pelo estádio, mas eles ficaram “piabando” de vontade. Lembrei-me do Lemão Luxinger, mas qual, este com seus modos questionáveis poderá me avexar. Recordo da última vez, em companhia dele, na torcida pelo CTE Colatina, do Edmílson Ratinho. Ele consumiu uma sacolinha inteira de amendoins torrados, arremessando na folga da bermuda dos torcedores sentados próximos – queria depositar o amendoim no cofrinho – dizia com jeito de moleque. Era um divertimento, mas nem todo mundo quer saber de brincar essa brincadeira do “cofrinho”. Mas quem tem irmão não atravessa ponte sozinho. Fui com o meu irmão mais velho, que não é tanto fã assim de futebol, mas é pau pra toda obra. Dois “legítimos” colatinenses, nascidos em Rio Bananal, a caminho, para se juntar a centenas, na torcida pelo time da cidade.

Ao colocar a vista no gramado, os times já estavam lá. Grená, era o uniforme do nosso adversário, o Sul América de Conceição da Barra. Bastou a pelota rolar para tomar gosto pelo jogo. O nosso time sabia jogar, fazia girar a bola e os alas subiam e tinham fôlego como o Cicinho e o Gilberto, para voltar e não tomar bola nas costas. Logo veio o primeiro, que na verdade foi meio sem querer, num cruzamento mais que bem sucedido. Lá estava a branquinha no barbante. Foi o que teve o primeiro tempo.

No tempo derradeiro estava por vir mais três. Seria certamente mais, se na regra do árbitro constasse pênaltis. No lance mais escancarado de penal, o Índio, com seus trinta e oito anos, recebeu um lançamento e se estampou pedalando cara-a-cara com o goleiro. Tomou um rapa do camisa número um, que levou até o meu irmão, que é um cara muito educado, a dizer cobras e lagartos do juiz.

Estava tão bom que a galera gritava olé, olé! Quando uma furtiva chuva, fina e oblíqua, começou a castigar a cara de toda gente no estádio, e já não se via aquela vistosa e remota montanha que fica no sentido da Vila Lenira, totalmente tomada de névoa – eis que percebo que as crianças cresceram – o rapaz, que entrara para o segundo tempo, era o filho do Fusquinha – ontem era um menino, e estava lá jogando fácil, fazendo magistralmente o terceiro gol e nos dando a expectativa de futuro craque. Agora já podia chover à vontade, tinha me vacinado mesmo contra a gripe.

É ótimo um domingo numa cidade boleira, mesmo que os nossos times não tenham Zidanes e Materazzis, não tenham um apelo de Vasco e Flamengo. Aqui a gente se encontra com a nossa gente e se abraça e se sorri e se sabe que logo o time estará na primeira divisão e que haverá um tempo em que o Colatinense também será um campeão de audiência. Não duvidem do que é capaz um time que ressuscita.

Alô, alô torcida do Clube Atlético Colatinense, aquele abraço!

Música: Cidade Negra- Onde você mora?

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Estória de Batata, bichos e quase amores.

Publicado por joelrogerio em Julho 9, 2006


Temere l’amore è temere la vita.- Bertrand Russel

Era a primeira noite de Colatina que partilharia a minha lépida presença com o Kikasoti, depois da adoção do gato preto. Aquele bicho, parecia-me que lhe fizera muito bem. Estava bem disposto, com alegria como a dos filhotes. Ouvi num programa de cultura inútil, na tevê, que os animais domésticos assumem um pouco da personalidade do dono. Por um tempo até acreditei nisso, porque o Pretinho, o poodle do Bizonga, fazia umas esquisitices que eram típicas do dono. Mas no caso do Kikasoti foi o contrário. Ele havia se transformado num bichano vivaz e sequioso por mimos. Talvez, e bem por isso que, quando notamos que olhares dengosos nos procuravam, partimos logo para o “fight”, e tomamos nos braços aquelas ninfas que nos alegrariam as horas seguintes, que de certo não se perderão na noite do meu esquecimento. Cada par, a seu modo, e é bom que se diga, aqueceu aquela rara noite de um pouco frio do outono Colatinense…

Sei muito bem que a causa de não me incomodar aquele feixe de luz de sol que vazava a mal fechada cortina da janela do meu quarto, naquela quase final de manhã do primeiro de maio, fora ter conservado, no íntimo, os afagos daquelas horas noturnas. Nem mesmo a longínqüa lembrança do “conhaque lemon” guardado ainda nas minhas papilas gustativas e a bem próxima barulheira, que logo decifrei ser uma manifestação de trabalhadores que reivindicavam os salários não recebidos, da massa falida de uma fábrica, me aborreciam – “dinheiro que esperamos há dez anos, como se pudéssemos viver duzentos ou se a fome pudesse esperar!” Bradava pelo sistema de som, uma voz que conhecia de longos tempos. Era a Batatinha. Então a manifestação era liderada pela intrépida e doce sindicalista Batatinha !? Meu pai, o Tião, disse depois, que quando o carro de som passou em frente à mercearia Avenida, num lance de abusada, ela esbravejou, dizendo que era por isso que trabalhador não tem valor, onde já se viu aquele comércio aberto num dia que o trabalhador deveria estar em casa descansando com a família? – Acho que ela não sabia que naquele comércio só trabalham gente da própria família. Ainda que ela dissesse tantas outras tolices, em nada desvaneceria a curiosa admiração que sempre nutri por ela. Não, ela não é qualquer, não que seja transgênica. Ela tem história, ou melhor, fez história!Voltando no tempo em que a molecada se esbaldava em brincadeiras pelas poeirentas ruas e de casas que não eram cercadas por muros, quando muito por cercas de ripas, no tosco bairro Maria das Graças, lá estaria a nossa futura sindicalista, numa árdua tarefa de ensinar os caminhos do “Senhor” a um bando de descarados, recém adolescentes.

Foi naquela ocasião que para os meninos, o catecismo não passava de um castigo, por roubar-lhes o tempo de traquinagens. E isso tornava as aulas da professora Batata num arrasto de monotonia. Aconteceu que um dia, ela sacou da bolsa um bilhete e disse que era um bilhetinho de amor. Que algum aluno tímido, tinha colocado às escondidas, em sua bolsa aquele bilhete, quase que por desespero, num esforço para um desabafo – “Olha gente!” – disse num tom professoral – “amor não é só isso”. Vou ler para vocês – E com entonação da voz para declamação de poesia de amor, entornou nos ouvidos da molecada o bilhete em forma de poema:”

Um beijo nunca deve ser dado,
Com intenção de maldade,
Como fez Judas,
Aquele traidor degraçado,
Deve ser fraterno para ser belo,
Demonstrando amizade,
Como o ósculo de Cristo nos apóstolos,
Cheio de santidade.
Mas tenho que confessar,
Porque já não cabe em mim:
Um beijo em você Batata,
Nunca seria assim,
Seria de inchar os lábios.
Com impulso selvagem,
Como a cavalada no cio faz,
No pasto do “ Seu Mário”.
Eu a quero só pra mim,
Mesmo que seja amarada.
Afinal você me suscita,
Vontade para o pecado!

Depois de um suspiro, ao terminar a declamação, Batata disse que precisava conhecer o autor daquele anônimo bilhete, pois assim, poderia orientá-lo melhor, porque aquilo não era amor, era desejo libidinoso.Cogitou-se que porcaria nenhuma que algum aluno teria escrito aquilo, e que era uma jogada de marketing da Batata, para animar as aulas. Que aquilo era para que a moçada se atinasse a descobrir quem era o autor, cheio de paixão e desejo, e assim aumentar a minguada freqüência do catecismo. Mas era corrente minoritária que apostava no ardil da Batata. A maioria mesmo creditava ao Kito Barbieri a autoria, porque levados pelo senso comum, sabedores da irreverência do menino e das suas curtas e fulminantes paixões, e sendo ele bom no vocabulário, sabia de muitas palavras diferentes das que eles usavam nos chingamentos, pois ele lia tudo dos super-heróis Marvel. E também, a professora era “muito legalzinha com ele”, e na páscoa o único que a presenteou com um ovo de chocolate, fora ele. Mas eu sei de muitas coisas do Kito. Até umas que não gostaria de saber. Alguém que quase concluiu um “ strepetease” na boate Apocalipse, e não concluiu o intento porque os “ hômi” o botaram para fora em tempo, alguém que já foi o “Rei dos bundalelês” – até dizem que metade da população de Marilândia já conhece aquela bunda branca. Alguém assim não hesitaria de bradar pública e pirotecnamente que queria a Batatinha só para si. Vale lembrar da vez que ele se enterneceu pela Nades. Muito bêbado, falou na cara dela que “a amava mais do que a ele mesmo”. Confesso que aquela cena me fez achar que viver podia ser uma coisa muito divertida. Em casa ele ainda disse pra mãe que havia encontrado a mulher da sua vida, e que por cima ela era virgem – “Cruz credo, Kito” – disse Dona Alice – “só se for por cima mesmo, pois a Nades já tem uma filha mocinha. Vê se cria juízo, meu filho!” – Admoestou a mãe do nosso querido Latino.

De fato a filha da Nades já estava mocinha e até foi colega do Delmo num curso de modelo. Mediante observações, comecei a desconfiar da massada. E acho que só eu matei a charada. Há matos que parecem não ter coelho, mas pode sair uma lebre lá de dentro de vez em quando.

Havia entre aquelas pestes imberbes, um que se destoava dos outros. Calangão Possa, assim era chamado aquele que sempre deixava uma fruta na mesa da professora. Dizem até que desfalcou a comida do trinca–ferro, passarinho muito querido do seu pai, Durval Possa, quando subtraiu um belo mamão papaia para agradar a Batatinha, que tinha uma especial predileção por essa fruta, um tanto também porque era muito ressecada. E só ele usaria a palavra ósculo naquele bilhete. E ele era brilhante. Numa festa junina do bairro, notei-o transtornado. Pouco depois já estava com Junim Galileu, que nunca freqüentou o catecismo porque dizia que já sabia rezar. Esbanjavam no quentão, era um atrás do outro (falo do quentão). Ébrios, era até difícil entender o que balbuciavam. O Junim gritava algo como “ morte aos playboys, morte aos playboys” , agora o calanção dizia que iria se vingar. – “ aquela piranha vai ver que sou dos Junca lá de Santa Rosa de Marilândia” – Foi isso que pude entender. Agora tudo se esclarecia. A Batata, nesta festa, ficou no maior beiço-a-beiço com o Nego Mumu. E isso tinha convertido em ira todo sentido afetuoso do garoto.E ele, cara de palavra, maquinou. Sabia que por pouco mais de nada poderia comprar um daqueles meninos. Chegou a falar com Nego Bom que precisava de um “ servicinho” dele. Qual foi a surpresa o refugo à tarefa. Ele argumentou que não ficava bem a ele sacanear alguém que doava toda semana leite de cabra pra sua família , mas que botava fé na “parada”, e dava força na idéia do Calango Irado, de deletar a batata. E para provar isso, indicaria um primo seu, que o Calango conhecia, alguém que faria, e faria muito bem, se “ rolasse” um agrado. Pois o Satanás, como atendia o pior elemento daquele meio, topou por uns míseros trinta rojões, colocar uma perereca viva, capturada dos esgotos a céu aberto da antiga Maria das Graças, na bolsa da professora. Seria batata. Aliás, Batata desmaiada. Nenhuma mulher agüentaria isso. Ao término do pai nosso, a Batata resolveu pegar alguma coisa da bolsa. E com pouca surpresa, viu o bicho. Pegou – a nas mãos, coisa que, com exceção do Satanás, nenhum garoto ali faria. E começou a dizer que aquela era uma criatura de Deus. E como criação do Divino merecia o respeito. E que todos mereciam respeito, porque todas as coisas passam, mas só o amor que permanece. E, continuando, disse que perdoaria quem tentou assustá-la, porque Jesus faria o mesmo e muito mais. Ela só parou com o lenga-lenga, quando metade da sala já chorava. O Calangão não chorou, mas se sentiu novamente envolvido pela ternura e resolveu amar a Batata, mesmo que ela continuasse no “bem-bom” com o Mumu. Mas que fosse só ele. Se aparecesse um terceiro, o que iria para bolsa se chamava cascavel, com um veneno cruel, que nem daria tempo pra ela “balangar” beiço.

Parece até ficção isso tudo que contei. principalmente pela perspicácia e frieza da Batata, que é mulher, diante daquela perereca. Porque eu mesmo já vi com estes olhos que a terra não irá comer tão cedo, um marmanjo que mora na rua Santa Cecília, São Silvano, que vai à missa todo domingo, quase apagar por causa de um desembestado desse bicho, que não se sabe bem de onde apareceu, e pulou sobre o colo dele. Eu que acudi, se não alguém poderia se ferir nos móveis da casa, ou subir sobre a mesa por causa do pequeno batráquio. Mas aí já é outra estória…

Ouvindo Laura Pausini, Strani Amori

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Dois caras, um coração de cão.

Publicado por joelrogerio em Julho 3, 2006

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O maior prazer é o prazer de conviver.
Antoine de Saint-Exupèry

O cara pardo estava pregado no sofá, diante da tevê. É quase sempre assim à hora do jornal nacional.
Adentrei à sala numa noite boa e de estrelas e de sem calor. E ainda melhor: leve como pluma, sem o pejo da culpa de pecado da cultura judaico-cristã. É preciso, às vezes ser um grego antigo, ser um pagão, ser um cão!
O cabelo um pouco crescido e desgrenhado, fora do habitual, denunciava ainda mais suas cãs. Pensei em troçar dele. Iria dizer: Aí “véio”, está parecendo com uma raposa velha, hein?! Não está na hora de fazer uma bainha nesse coco não?! Segurei a “onda”. Venceu a reflexão. Eu não sabia se estava ali dentro daquele homem, um anjo de candura, como de costume ou o demônio do mau humor que boiava, volta e meia.
Também chafurdei-me no sofá. Havia o mundão de Colatina e adjacências a meu dispor, naquele noite tropical, mas quis ficar. Sabia que não havia nada apeteciável no mundinho da televisão, principalmente, nas notícias do telejornal.
O Willian Bonner com sua mecha prateada e a Fátima Bernardes com melenas caprichadas pela chapinha japonesa, para mim eram porta-vozes de um mundo cão: ocupação ocidental no
Iraque, homens bombas, mensalão, terremoto no Paquistão, o Vasco despencando na tabela. E o velho todo olhos e ouvidos, sem se aborrecer.
Ali do meu lado estava anos da minha vida. Um carola cristão no papel e alma pagã no dia-a-dia. Assim como a ele, quase nada me afetava. Mas o casal da tevê narra o fato do menino iraquiano
Ali Ismail Abbas que havia amputado os braços. Estava no lugar errado (num alvo civil atingido por engano pela coalizão anglo-americana). Uma criança muçulmana que perdera, além dos braços, parte da família, incluindo pai e mãe, para nos sacanear, gesticulando com o seu coto de braço. Kriptonita! Tentei olhar para meu pai. Ele não poderia me ver com olhos marejando. Deus me livre se ele me visse assim! Ainda bem que um sono súbito o acometeu. Ele se esticou no sofá, pôs uma almofada na cara e não mais viu o telejornal e nada mais. E eu: Para o alto e avante!

Texto publicado originalmente em novembro, 2005.

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O time da França e a Besta Fera.

Publicado por joelrogerio em Julho 3, 2006

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Se você vê maravilhas
Num conto de fadas
Você pode agarrar o futuro
Até mesmo se você falhar

(Da música “I Have A Dream”, do inesquecível Grupo ABBA)

Apito final no Waldstadion, Frankfurt. Ele tirou o boné e o atirou na churrasqueira. Subiu uma labareda danada, quase que de imediato. Aquele boné verde e amarelo era altamente inflamável. Era de material sintético, coisa barata, não valia mais que as doses de caipirinhas que ele havia ingerido no tempo derradeiro do jogo. Deu a xingar todos os jogadores que a embriaguez lhe permitiu lembrar. Para ele, eram todos filhos da puta. Depois de fumar o último cigarro, mais calmo, ainda com a voz pastosa, pediu desculpas, apercebeu-se de que não estava em sua casa – era, ali um convidado, para assistir ao jogo. Eu podia rir, mas o Tierry Henry havia expatriado o meu humor bom. Disse-lhe que se considerasse em casa, que xingasse por mim também. Mas ele se recostou no parapeito do terraço, esticou um olhar para as luzes do outro lado do rio, silenciou-se e logo chorou, e assim tornou-se um elegante.

Poderia ser mais dolorido se perdêssemos para a Argentina.

Francês é quase sempre francês. O Zidane foi lá confortar o Zé Roberto, caído no gramado, desolado, ante ao Brasil eliminado. Vi nos jornais a forma elegante com que, após a Vitória, se referiam ao time dos brasileiros. Lílian Thuran disse que “mesmo perdendo o Brasil é melhor”.

A civilidade francesa fez-me recordar, por contradição, de um fato histórico. Durante a ocupação nazista a parte da União Soviética, quando os jogadores do Dínamo de Kiev foram presos e forçados a trabalhar numa fábrica de pães. Dentro do que era possível, jogavam um futebolzinho. Os soldados alemães, vendo a habilidade com que os Ucranianos tratavam a bola, resolveram desafiá-los. Perderam cinco partidas seguidas de goleadas e, tomados por sentimento de superioridade, pediram uma sexta partida como revanche. Fizeram uma seleção com os melhores jogares que puderam. No intervalo desse jogo, quando os cativos perdiam por dois a um, um soldado alemão ameaçou que se o time do III Reich perdesse, os Ucranianos iriam para o paredão. O placar final foi cinco a dois para o time de Kiev e um fuzilamento coletivo de um time que além de jogar um belo futebol, fazia pães.

Concateno esse relato, com um assunto que a imprensa não deu muita bola: o racismo impingido ao time do “Zizou”. A ultra-direita francesa, liderada por Jean-Marie Le Pen, diz haver negro demais na seleção e que o povo não se identificava com aquele time. O negro Lilian Thuram rebateu.

Aquele manifesto contra o racismo, lido pelo capitão da equipe brasileira, Cafu, e pelo capitão e mágico Zinedine Zidane, da equipe francesa, tinha endereço certo.

No Brasil, o racismo se guarda, é velado, tem vergonha de mostrar-se. Na França ele tem braços e mãos na forma de organização política. Aquele gol do Henry, ao menos momentaneamente, amputou a língua afiada da besta fera, que nunca quer calar.

Existem mais coisas em certas partidas de futebol do que a nossa “não vã paixão” possa alcançar.

É por isso que depois do caso passado, vendo além das quatro linhas, resigno-me.

Só lamento que a ressaca moral do jogo e algumas cervejas a mais tenha me desfalcado de um bom papo com um grande amigo que veio da “capitar”

Vídeo: Party among France & Brazil fans, what the World Cup was really all about – party & love, even among rivals… one guy in particular feeling the party more than Party among France & Brazil fans, what the World Cup was really all about – party & love, even among rivals… one guy in particular feeling the party more than others ;) – Fiesta en el mundial entre Franceses y Brasileiros, el sentimiento principal del Mundial – fiesta y amor entre paises, aun rivales.. un tipo en particular festejando mas que todos jeje …

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A namoradinha de um amigo meu.

Publicado por joelrogerio em Julho 2, 2006

Quem se apaixona por si mesmo não tem rivais. (Benjamin Franklin)

O cara chegou espavorido. Ordenou-me que pegasse o telefone e ligasse pra ela. Liga que vou ouvir a conversa pela extensão – disse. Não combinava com ele aquele negócio de chegar lá em casa antes do café da manhã, dando ordens. Não era do seu feitio. Disse a ele que não ligaria nem que a vaca tossisse! E que era pra ele ter vergonha na cara – Ouvir conversas de foro íntimo dos outros, clandestinamente, dava cadeia. Pode deixar – disse ele – que você não irá pro inferno por causa dessa ligação. O pecado será só meu. Respondi-o: Você morre de amor e agora vem me assombrar? Não viaja! Sai de retro!

Há algum tempo o Jef estava amarradão na Cristal. Eles se conheram no trabalho. Se conversaram muitas vezes, foi chegando a amizade, depois a intimidade, mudaram os olhares e daí a mágica boa.

Eu não teria nada com isso, se não fosse ele. Ele teve a idéia. Já que se mudaria para uma cidade tão distante, para a árdua e grandiosa missão de virar doutor, assim, não poderia embarcar a moça nesse sonho. Não havia lugar para dois nessa barca. E também não a faria esperar tanto tempo, pois ele mesmo já havia sido traído por seu coração. Sabia que seu coração era vadio. Melhor que ela tomasse o próprio rumo. Foi assim que o Jef, na praça da igreja, numa tarde cinzenta, propícia para encerrar romances, disse a Cristal que as circunstâncias os separariam. E por prova de seu amor, sugeriu-a que se fosse ficar com alguém, que escolhesse quem fosse a tratar como uma princesa que era. O “Meninão Autoridade” por exemplo – disse – é bom menino e um bom partido. (Só se fosse partido ao meio e lá pelas bandas de *Guaporé!). Me sugeriu também. Falou que apesar do meu jeitão de brabo e durão, eu tinha coração lá dentro e que nem precisaria de muita lenha para derreter!

Há fatos que ocorrem comigo e com muita gente. O mundo não tem tantos segredos como pode parecer. Pois depois da dita sugestão, encontrei a morena em toda lugar. Até que um dia a encontrei numa festa e pudemos ter uma conversa mais demorada. Disse a ela que me desse a mão e que saíssemos e esquecêssemos o que já sofremos. Era hora de ver o sol. Senti-me o tal, especial, sem igual, um cara de simpatia sincera, um Giovany dos Biase ( saúde e vida longa aos Biase).

A partir de então meus sonhos ficaram claros. Claros e não comuns. Foi nessa ocasião que sonhei que disputava uma animada “pelada”, num campo ao lado de um jardim de infância. Os amigos jogavam comigo. Só que todos éramos cachorros. Havia um cachorro vira-latas e um pouquinho gordo, que latia grosso e queria mandar na pelada, era o Kito Barbieri. Outro cachorro era um cão policial, que depois identifiquei sendo o Meninão. Um cão Playboy e um outro um tanto velho e rabugento que achava ridículo “ um monte de cachorro atrás de uma bola, com tantas cachorras dando bola por aí”. A dona da cachorrada era a Cristal que chegou com uma tigela de ração para o lanche. O cão policial latiu dizendo que não era para comermos, pois a megera colocara um produto que nos castraria. Como ela entendia a linguagem dos cães, disse: que isso!? Olhem, vou colocar um molhinho que vocês adoram, e assim encharcou a ração com bohemia. Não sobrou nada! Só um cãozinho pastor da universal, Ruan, que disse estar de dieta e não comeria mesmo! Que neste verão seria o cão mais saradinho do bairro Honório Fraga. Vou ser mais lindo que meu primo Shayan, que o Arruda e que Buá – disse ele com olhar dengoso!

Eu não sei bem o que o sonho quis dizer, mas fora um presságio. Dois dias depois chegou aos ouvidos do Jef, por um primo seu, o Camilo, que eu estaria vivendo um tórrido romance com Cristal. E por isso que ele queria que eu ligasse para ela para saber se ela dizia para mim as coisas bonitas que dizia para ele.

Quem não sabe brincar que não brinque. Pois a Cristal não sabe brincar, o Jef não sabe brincar e o Camilo muito menos. Pois só foi eu dar as costas para o Camilo “carregar a Cristal”. E até foram juntos passar um carnaval”.

Hoje o Jef é doutor e tem uma namoradinha que é um luxo e virá passar o natal em Colatina, mas avisou que não trará a namorada. O Camilo está só e fez reflexos nos cabelos e ainda acha que sua cabeça não está bem adornada e o banco do meu carro está vago… Dizem que Cristal virou rainha de carnaval!

Audição: Danni Carlos – Kiss Me

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Funerais e declarações de amor.

Publicado por joelrogerio em Julho 1, 2006

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Faça, meu Deus, que me mantenha piedoso,Seu servo em todas as horas, que possa expulsar a tirania que me sangra o coração.
(Versos do Hino da Holanda)

Mexerica poncã, meia dúzia por um real!” Gritava pelos auto-falantes do carro, o vendedor, com uma música gospel ao fundo, numa rua próxima. Durma com um barulho desses. Ainda na modorra, procuro o controle da tevê. Tenho que fazer um sacrifício para o momento: esticar o braço. Está caído ao pé da cama. No canal onde ontem à noite eu via os comentaristas com cara de tacho, que antes criticavam ferrenhamente o “Ronaldo Gordo”, agora vocifera um pastor evangélico a vender um “cedê” e um “devedê” – “as nossas crianças estão sendo violentadas com livros e filmes de bruxaria” – dizia ele – “os comunistas diziam que se destruíssem as crianças, conquistariam a nação” – continuava na sua argumentação, para vender o produto. Pensei, “está bom, eu compro” e desliguei.

Faz um friozinho, na manhã que ainda não vi a cor. Não me levanto para este outro dia. Embrulhado no edredon vem-me, como um inventário, as reminiscências da sexta-feira. Já faz um dia que quando misturava o leite ao café, minha mãe conta que morreu o pai da Regina. Regina do Osvaldinho? Pergunto eu. Não a Regina… Era o pai do Geraldo, que é irmão da Regina, e o Geraldo é amigo meu. Padecia há algum tempo da próstata, mas morreu de ataque cardíaco. E fez a passagem logo após o seu habitual leite com café – do qual ele também era adepto.

Vamos lá dar as condolências à família, Dona Velina? ( às vezes chamo assim a minha mãe – falo pra ela que é para não dar muita intimidade!). A senhora conhecia o falecido? Ela diz que sim, e desde quando o Geraldo, a Regina e você eram ainda crianças, desde quando viemos pra Colatina. A Socorro que estava lá em casa resolveu que também iria.

A cada um da família enlutada, ao abraço, dizia que Deus lhes daria conforto. Era o que se podia dizer. Afinal, Deus, invenção ou não do homem, era de muita serventia nessas horas. Dediquei uma prosa maior ao Geraldo, falamos do falecimento da mulher do Seu Totó, amigo nosso do trabalho, ocorrido no dia anterior. Lembrei a ele que o Totó estava carregado de uma dor enorme, ele amava a mulher e ficava bem à vontade para alardear isso. Pôxa vida, quarenta anos e já tinha quatro netos, mas muito nova pra morrer. Mas não há idade pra morrer, não é mesmo? Ele concordou com o óbvio.

De lá Dona Velina e a Socorro foram para casa de uma conhecida. E eu quase direto pra casa, mudei o trajeto. Passei na estreita e simpática rua do Zezinho do Martelo, vi-o com seu bigode afiado. Acenei e ele me perguntou se estava tudo bem lá em casa, disse que sim e obrigado. Deu para ouvir a Nina, filha do Martelo, dizer à mãe “nossa que homão ‘bunito’ ele tá!” Então fiquei menos triste. Ouvi, certas vezes, uma canção que dizia que “viver é foda e morrer é difícil”. A música diz também que viver é uma necessidade e eu digo que tem também umas coisas bacanas…

Cheguei em casa cansando. Precisava voltar à velha e boa academia. Nem um quilômetro e uma subida de cem metros e já arfava. Ouvi a vizinha do lado a cantarolar “ Lava-roupa todo dia, que agonia”, sabia que era para chamar minha atenção. É que toda vez que ligam a lava-roupas, aqui em casa, para implicar com o barulho chato da máquina, eu canto esta canção. E ela, a vizinha, fica a ouvir e a espiar. Certamente ela sabe que eu sei que fora ela quem ligou pra mim no dia dos namorados, passando-se por uma admiradora por nome de Sônia, a perguntar-me se eu tinha namorada, que tipo de mulher eu gostava. Dei as respostas na medida dela, falei que meu estado civil atual era “tico-tico no fubá” e que o meu tipo favorito de mulher não tinha a ver com a etnia, tinha sim com a com inteligência emocional. Não adiantou, a encrenqueira não sabia do que se tratava essa tal inteligência emocional, só sabia o que era tico-tico no fubá. Não serviu como golpe para esmorecer aquela encrenca. A vizinha ao menos poderia prestar atenção nos versos de juventude transviada:“lava-roupa todo dia, que agonia (…) Uma mulher não deve vacilar, Cada cara representa uma mentira, Nascimento, vida e morte, quem diria…”

(…)

À noite quando me preparava para dormir, ao ver o talão de cheques que, incautamente deixei sobre a cabeceira da cama, tinha uma inscrição bem garrafal na capa: “dorme com os anjos, mas sonhe comigo!” Era coisa da Socorro. Para essa tenho que pedir socorro, não pela falta de beleza ou formosura (que no caso poderia), é que ela vive num mundo a léguas da minha idiossincrasia. E imaginar que a dita já foi uma freirinha!

Ao menos me senti na seleção desses moços, tipo o Giovany “dos Biase”; O Meninão do Guaporé; o Kiko, “belo bancário” Casoti; um Cristiano Ronaldo; um David beckham! Esses que fazem suspirar a torcida feminina. Assim daria para pegar peixe grande. Ah moleque!

Hora de acordar, certamente hoje será um outro dia.

Por enquanto, por Cássia Eller

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A festa continua.

Publicado por joelrogerio em Julho 1, 2006

A festa continua…

Brasil

Portugal

Quinta-feira, Junho 29, 2006
Zagallo, o outro fenômeno.

Zagallo, uma lenda

O presente é tão grande, não nos afastemos,

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

(Carlos Drummond Andrade, em “Mãos Dadas”)

Teve um dia, pouco atrás, que me deu dó. Era dia de Santo Antônio, santo de devoção dele, e diante da pergunta do repórter Pedro Bial “O Brasil joga dia 13 de Junho, dia de…?”. O velho responde “Dia de Santo Antonio!” e então ele tira uma imagem do santo do bolso, e Bial indaga se o santo casamenteiro iria proteger o Brasil na copa. Ele embarga a voz e chora, encobrindo os olhos com a mão. O repórter “big brother”, sem jeito acaricia o lendário do futebol mundial, que pede descupas por não conseguir falar.

É possível mesmo que as lágrimas vieram junto à recordação da plausível possibilidade de não mais estar vivo, nesta copa do mundo. Havia convalescido, parecia “murchado”. Meses antes, hiperbolicamente falando, era “pele e osso”. Pouco lembrava aquele homem que vigorosamente, diante das câmeras de tevê, dizia “vocês vão ter que me engolir, vocês vão ter que me engolir.”

No jogo contra a Croácia, ao final, ele, inveterado colecionador de camisas de seleções, tateava diante de um jovem jogador croata, com a camisa oito do Kaká, tentando trocá-la. Por falta de atenção ou por falta de sensibilidade e respeito a um senhor, o atleta croata o ignorou e perdeu a chance de uma grande honraria, que dificilmente a vida lhe ofertará novamente. Pôxa vida, desprezo a um velhinho!

Como “Dom Ronaldo”, ele é desses que pra eles, estão sempre rolando os dados. Ele é fenomenal. Não é que o velho Lobo me aparece agora na “ponta dos cascos”, cheio da “resenha”, dizendo que a partida contra a França não será a revanche de 98. Revanche é dentro da mesma competição, e que na copa de 58, com ele no time o canarinho, bateu os franceses por 5 a 2. E o danado me emocionou, dizendo que a única coisa certa é que o Brasil é o único que poderá ser hexa, gente. Ergueu a mão, destacando três dedos e dizia “só faltam três gente, só faltam três, com a boca bem grande, vamos chegar lá!”

Eu é que não duvido. O velho é um elixir de motivação. É um fenômeno. E é a melhor coisa pra se engolir nestes tempos.

Que venham os azuis!

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