Joel Verbo ad verbum

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Posts de Abril, 2006

Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves…

Publicado por joelrogerio em Abril 29, 2006

Dedico este texto a meu amigo Giovany.

Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves… Todos atentos olhando pra TV! Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves… Uma historinha bem gostosa de se ver!!! E tinha o seu Madruga, o Kiko, a Chiquinha, Dona Florinda, o professor Girafales, Nhonho, seu Barriga, e pra não ficar citando tanto, páro na Dona Clotilde (a brucha do 71).

Podem me achar ridículo (ridículo mesmo é quem não é feliz. Eu sou feliz), mas o Seu Madruga mandava uns “papos maneros”, e eu não via coisa de maior valor: “Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar”. “Quando a fome aperta, a vergonha afrouxa…” “A vingança nunca é plena: mata a alma e a envenena”. “As pessoas boas devem amar seus inimigos. Mas amar os idiotas é quase impossível”. E pra não ficar citando tanto (de novo), paro numa divertidíssima: “Dá uma licencinha que o Madruguinha vai tomar um cafézinho”.
Pois aquele menino pobre e órfão que morava num Barril, numa vila em que todos os personagens eram em maior ou menor grau, pobres, enriqueceu de alegria tanta gente que não tem alma pequena, por esta América latina. Mas agora aparece um outro Chaves na tevê. Acho que vou comentar um pouquinho sobre ele (“Tá bom, mas não se irrite!”). Pois o coronel Chaves também já teve um “pouquito” da minha simpatia, principalmente porque as classes dominantes da Venezuela, e o governo dos EUA, que
considera a América Latina como seu quintal, nunca aceitaram o tenente-coronel Hugo Chávez no poder. Fato que me trouxe simpatia ao Coronel, foi a resistência popular à tentativa golpista, liderada por Pedro Carmona que defendia uma política de interesse próprio, intimamente ligado aos Estados Unidos. Mas não teve pra ninguém, a voz do povo boliviano matou os cachorros a grito e o Chavéz voltou ao Palácio Miraflores.
“Pi, pi, pi, pi, pi, pi…” (choro). Deu agora, o Senhor chaves, pra abelhudo, pra mandatário da América Latina. Mantendo a mão em tudo (melhor que se escondesse num barril). Não bastasse o incidente com Vicente Fox, presidente do México, agora é com o Peru. Pois o Presidente da Venezuela reservou a Alan Garcia, insultos que nem moleque de rua faz a outro: “Corrupto. Sem vergonha. Ladrão. Ladrão de rua”, discursou Hugo Chávez. E ameaçou retirar o embaixador de Lima se, disse ele, “por obra do demônio”, García vencer Ollanta Humala no segundo turno, e pra arrematar a sua inconveniente arrogância, emendou: “Como poderia conversar com um presidente enquanto ele fica de olho na minha carteira?”, perguntou Chávez, acusando García de ser ladrão.
E tem aquela proposta do Chavez de construir um gasoduto saindo da sua Venezuela, passando pelo Brasil de norte a sul, até a Argentina, e ele com a mão na torneira do gás. “ Acabaria com a pobreza e tiraria os meninos da rua em São Paulo, Rio, Caracas, Buenos Aires, esse é o argumento dele. ( Engraçado, se não me engano o custo deste gasoduto seria de 40 bi). Como diria “o meu Chaves”: “Que burro, dá zero pra ele!”
O Chávez é muito diferente do meu Chaves que passa a maior parte do tempo atormentando a vida da vizinhança, mas não como o outro, pois é brincando e é sem querer, querendo. Mas a verdade é que ninguém tem paciência com ele.
O garoto do barril também é um menino sonhador, amigo e companheiro de todos. Sempre procura ajudar aqueles que passam por dificuldades, mesmo muitas vezes não tendo meios para fazê-lo. Em alguns episódios fica clara a solidariedade com a pobreza de Seu Madruga, e não é raro vê-los compartilhando sanduíches ou mesmo um refresco.
Obrigado pela leitura deste texto. Assim não posso dizer “Ninguém tem paciência comigo!”
A idéia era escrever só sobre o “Chavinho” e até relembrar de alguns ótimos episódios, mas quando se é adulto…”Foi sem querer, querendo!” “Isso, isso, isso, isso…”

Relembrando a velha infância: Tema do Seriado Chaves
Vídeo do episódio: O aniversário do Seu Madruga

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Me telefona.

Publicado por joelrogerio em Abril 26, 2006

Uma garrafa é só uma garrafa,
Uma garrafa é só uma garrafa,
Uma garrafa é só uma garrafa,
Porque não encontro em seu bojo vítrio,
Um bilhete náufrago.


Peter Frampton: Baby i love yor way

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Hoje, hoje, hoje…

Publicado por joelrogerio em Abril 24, 2006

Colatina – ES, Brasil

Tenho dúvidas como dois caminhos,
E dois caminhos são belos.
E sempre me lembro de como é hoje,
Porque temos a idade de viver.
E agora é que a vida se revela.

Deixei um bilhete em forma de poema,
Em todo lugar onde estive
E como ninguém leu, nem porisso fiz dilema,
Escrevo outros como a presente alegria.

E olhe, somos mais que fotografias,
Porque amar não sai nelas.

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O apócrifo evangelho segundo Judas – um comentário em desalinho.

Publicado por joelrogerio em Abril 22, 2006

(…) Então disse a mim mesmo: “que eu faça um blogue e quando vier o tempo das águas que eu plante também uma árvore”. Passou o tempo das águas, e a árvore, porém, não plantei, apesar de ter participado da plantação de um vistoso buganvile, do qual discorrerei oportunamente. Pois então, o blogue está aí, parece-me bom discorrer semanalmente sobre os “causos” de cá comigo e plantar pelo mundo afora (o mundo inteiro que fala o português, lê este blogue) um pouco desta vidinha mais ou menos, numa cidade que tem um rio que a corta ao meio, mas não é o Tejo, mas é o Tejo porque pra mim é como se fosse, num país que não tem rei, mas o presidente já foi sapo e a primeira dama, porque não? É Cinderela. Venho eu a divertir-me a mim e a outros com a minha presunção literária. Era só isso que eu queria deste veículo (blogue). Mas, Bah! (como os gaúchos), não resisti à tentação, e como os milhares, resolvi dar umas pitácoras, numa seara verdadeiramente espinhosa: A religião.

(…) Então, o evangelho segundo Judas, um texto de 30 páginas (30 páginas e não moedas), cópia de um manunscrito do século II, dado como perdido, agora levado a público, está dando o que falar. Refratado, naturalmente, pela maioria da cristandade, devido a sua conflitância com as descrições dos evangelhos chamados canônicos. Li um trecho e não é que pareceu um lume? Eis o trecho: “Quando se aproximou de seus discípulos, sentados e oferecendo uma prece de agradecimento sobre o pão, Jesus riu. Os discípulos disseram: ‘Mestre, porque está rindo de nossa oração?’ Então Jesus respondeu: Eu não estou rindo de vocês. Vocês não estão fazendo isso porque desejam, mas porque pensam que através disso seu Deus vai ficar honrado”.

(…) Então, até nas orações de muitos da cristandade há hipocrisia. Quantos, nas preces, pedem por seus semelhantes, porque assim o mestre falou. Mas de fato cumprem isso como obrigação, para tentar agradar a seu Deus e ganhar assim as benesses do todo-poderoso? Eu chamo isso de escambo.

Não se chateem comigo. Logo falarei do buganvile e de uma estória que faria rubor na face do Nelson Rodrigues. Continuem a passar por aqui!

Mundo Lusófono
Ouço Bob Sinclair: Love generation

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A copa, doce copa do mundo, dos Estados Unidos.

Publicado por joelrogerio em Abril 12, 2006



Em agosto, só em agosto voltou a falar comigo. Nem com a mão dele eu podia falar. É isso mesmo. Menino tem essa de “fala aí com minha mão quando o assunto degenera”. Às vezes achava que a razão era dele, afinal de contas trato é trato e vice-versa. Nós apostamos, aposta não, foi promessa e tinha aquela aura espiritual. E do mais, todos ganhamos, esborneamos, esburramos de contentamento que valia até fazer cócegas em jacaré. Mas para ele, eu deixar de raspar a cabeça, não estava nesse vale tudo.

Não era ódio. Não poderia ser ódio. Acho que foi desapontamento, afinal eu era da turma. Corrente, sabe? Fica tudo assim concatenado quando se é da corrente. E se se vacila, esculhamba tudo.

Naquela ocasião que descobri o apelido de infância dele. Foi na festa da cidade. “Ei Bizonga, vem pra cá, com a gente”, gritou o Looth, que já estava comigo. Ele se aproximou um pouco, mas guardou uma distância de desprezo. Caminhou próximo a nós e não conosco, por bom tempo da festa noite adentro. Eu fazia muitas coisas pra desemburrar aquele mais prezado dos meus amigos. Aquele que estava sempre alegre com quase tudo. Então eu chamava “hei Bizonga, vem pra perto da gente!” Mas nem a mão dele respondia .

Eu tinha mesmo que perder o juízo. Assim como tantos outros nunca vira o Brasil ser campeão do mundo. Depois daquele “três a dois” na Holanda, “ah eu tô maluco, ah eu tô maluco!”. Aquele gol “bebê” do Bebeto, e o Branco, “Branquito”, como diria o Maradona, a gente achava ele o maior fim de carreira, mas carregou a bola, driblou, sofreu a falta e com personalidade pegou a bola como um predestinado, cobrou aquele tirambaço. Golaço, coisa que só brasileiro faz. O Baixinho até participou do lance, tirando a bunda fora. Foi bem bacana, muito bacana. Por isso eu disse: “vamos raspar as nossas cabeças, se der o tetra?” Ele topou na hora, o Super Calango aderiu e o Looth embarcou na idéia também. E só faltavam dois. “ Vocês vão ter que me engolir, vocês vão ter que me engolir!”. Eu não via a hora de engolir o velho Zagallo.

Só faltavam dois. Agora era a vez da Suécia do povo mais civilizado do mundo, com o seu goleiro fanfarrão, Ravelli, que fazia piruetas em cada bola da seleção brasileira que ia pra linha de fundo. Tivemos um primeiro embate com os suecos e foi duro. Um a um, suado. Mas para pular à final, a nossa seleção jogou fácil, dominou e o “um a zero” que o baixinho Romário fez de cabeça entre os gigantes zagueiros suecos, não retratou o jogo. Era para mais.

Até que o dia raiou e chegou a hora e a gente não tinha que ir embora. Em oitenta e dois, na Espanha, a “esquadra azzura” tinha mandado para os ares a nossa esperança naquele “três a dois” em que o “maledeto” do Paolo Rossi entristeceu um Brasil que apostava naquela seleção, que parecia mágica. Mas isso tinha ficado pra trás, agora, doze anos depois, já havia vários dias um atrás do outro. E sempre foi bom um dia após o outro.

A seleção italiana estava numa retranca danada. O Brasil também não ficava longe disso. As changes de gol foram poucas e foram nossas. Quando o Viola entrou na prorrogação, achei que ele decidiria o jogo. Os italianos estavam só bagaços e o Brasil tinha mais fôlego. Mas a decisão teve que ser nos “penais”. Sei que quando o Tafarel defendeu o pênalti do Massaro e o Dunga converteu pra gente, estava na hora, estava na hora… O Baggio, que havia salvado a Itália aos quarenta e seis do segundo tempo contra a Nigéria, e até budista o cara era. Não é que o cracaço italiano chutou pra fora. O Brasil é tetra, o Brasil é tetra!

Nos refestelamos. Explodimos de alegria no meio das pessoas penduradas nos carros, nos ônibus. A avenida Beira-Rio tomada. De Colatina eu sabia: O mundo é do Brasil.

Assim, no dia seguinte, a gente tetra, vi duas cabeças luzindo ao sol e ri de doer a mandíbula. O Looth tinha ficado o mais ridículo. Não fizera o corte zero e os “caminhos de rato” gritavam. Parecia um monstro de olhos azuis. “Aê, não vão pegar ninguém” falei pra eles. O Looth se enfureceu comigo. “Sacanagem, então você não raspou?”. E então, o Bizonga, entristeceu-se e nem falou comigo, e nem mesmo na festa da cidade.

Um dia chegou que, precisando de umas explicações em matemática, ele apareceu lá no corredor da Escola Técnica e ficou andando pra lá e pra cá, mas não dizia nada. “Vamos Bizonga, deixa de ser tolo, vamos mastigar essa matemática. E assim selara-se a paz.

Na copa da França, que perdemos para os franceses, desconfiei, por um pouco, que a culpa fora minha. Não cumpri a promessa e os deuses do futebol haviam se vingado. Mas é besteira que passa pela nossa cabeça, que a gente nem controla. Imagina.

O Bizonga, que é Rodrigo, agora o chamo “Doutor Digo”. Temos nos falado longamente ao telefone. Ele está em Salvador, é engenheiro da Petrobrás e sabe muito mais matemática que eu e tem vocação para a amizade. Assim como para seleção, torço muito por ele.

Se neste ano na Alemanha o Brasil for “hexa”, vou raspar o côco e vai ser de máquina zero! Pode saber Doutor Digo, pode saber! Quero ser um cachorro se não o fizer. Afinal é a copa do Mundo, é um país, é uma paixão.

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Domingo eu quero ver o domingo.

Publicado por joelrogerio em Abril 4, 2006



Os domingos são para contar lorotas… Assim dizia meu finadão e brabo avô. Estou quase acreditando que, principalmente as tardes, sejam só para isso mesmo, e também para se empanturrar de macarrão e frango e dormir fazendo a digestão. P’ra mim não é de hoje que é assim, é desde os tempos que eu era menino lá em Rio Bananal.

Sextas e sábados a coisa é outra. Tudo conspira para o “fight.”

Dia desses passados, e era um sábado, sem me preocupar muito, deixe-me ir pelo leve vento, deparei-me num novo bar, o novo bar do Pezão. Não conhecia ainda aquela croca. Isso só provava uma coisa: há muito não ia à missa na igreja São José Operário, em Maria das Graças. Lá da “Casa do Senhor” era fácil ver aquele boteco escancarado, que parecia estar de braços abertos. Já de longe divisei uma nórdica e parruda figura, pareceu-me, em princípio o poderoso Thor – mas que nada! Era o Cabelo-de-Lobo Simonassi, com uma cara muito descarada e ladeado pelo Tim Capota e Dudu Leão – Nossa Senhora Godão! Mil anos você vai viver, falamos agora da sua pessoa! – disse o Capota, após mais um trago na skol. Certamente, eram coisas boas – disse eu.

O sol tinha uma luz que beirava a perfeição. Dava prá ouvir a mamona estourar. O Cabelo-de-Lobo, observou que o calor do verão iria arrebentar os sensíveis. Até sugeriu ao Pezão que substituísse as telhas de amianto pelas Telhas Forte Simonassi.

Nesse dia soube muitas coisas. O Capota é um verdadeiro arauto. Deixa a gente mesmo bem informado. Contou, dentre outras coisas que o Cabelo-de-Lobo, depois de mais uma briguinha com sua amada, havia jogado a aliança de noivo de cima da ponte Florentino Avidos, só que depois se arrependeu. Não pelo fato de desnoivar, mas porque se tratava de uma pesada aliança de ouro, que daria, pelos nossos grosseiros cáculos, para comprar uns dois aparelhos autocedê que tocam mp3. Aí bateu o desespero, então é que ele foi lá no Tairone e mandou esticar uma rede de malha fina, lado a lado do Rio Doce, para ver se pescava aquele tesouro que valia pelo menos dois “cd players” … O Tairone disse que era mais fácil pescar os aparelhos de cedês do que a aliança, o que é bem óbvio!

O Dudu pareceu-me muito quieto, então perguntei-lhe se era por causa de mais alguns “foras” do mulheril. Disse que não, mas queria passar o carnaval naquela casinha da esquina, em Guriri. Ele sabia que teria a companhia de um ‘Meninão” chamado Sandro Gripa que beija muuuuuito e que lhe ensinaria a arte da conquista. Ele queria saber, principalmente, aquela técnica dos pezinhos que se encontram debaixo da mesa. E de lambuja, aprenderia umas receitas de bolo. Afinal neste mundo cada vez mais globalizado é sempre bom adquirir mais competências… Aliás, quando eu ver o Meninão, vou perguntá-lo se poderia me ensinar uma receita de bolo de inhame, assim ganharei uma boa grana vendendo para o Delmo Guidoni…

Em sextas ou nos sábados, mesmo que não se tenha previamente o que fazer, sempre é divertirsão saber das coisas do nosso mundo. E, talvez, não encontrando uma bela fêmea pela noite afora, tenha-se a sorte, de encontrar bons companheiros, praticamente celebridades, ( não falo do Cabelo-de-Lobo, nem do Capota e Dudu) numa cidade deserta, para vasar a noite, tomando a brahma do Hugostozão, cantarolando com eles aquela música: “Eu bebi demais e não consigo me lembrar se quer. Qual é o nome daquela mulher, a flor da noite da boate azul.” Isso é alegria pra mais de metro. É alegria prá semana toda!

Coldplay (Speed of sound)

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Garoto na praia.

Publicado por joelrogerio em Abril 3, 2006

De lustro de pura luz
O sol o veste.
E o mar de bem perto assiste
A uma perseguição terrestre:
Insiste, insiste a obstinada mão,
Mas o sirizinho espevitado foge,
Num instante de distração,
Quando a vista se apetece,
Com algo de longe, longe,
Um navio que se perde,
Na linha do horizonte.

Ouça comigo: “No woman no cry” – Tila Tequila

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