(Mudamos de casa, agora é Crônicas do Joel )
www.cronicasdojoel.blogspot.com Crônicas, contos, causos, prosa, versos, reflexões… Histórias cotidianas “pretensamente” divertidas e líricas.
Publicado por joelrogerio em Abril 25, 2007
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Publicado por joelrogerio em Fevereiro 22, 2007

Quarta de cinzas. Tudo aqui é agora um vazio de carnaval. A única sombra, ou resquício de folia, se assim pode-se dizer, é o palanque, ainda cravado, próximo à praia, onde eram os shows, à espera do desmonte. Não mais estavam aqueles que, até escambar o dia, bebiam, dançavam, gargalhavam, namoravam-se e até brigavam (os loucos).
Minha cabeça não dói. Bebi, é claro que sim. Mas minha cabeça não dói. E essa estória de que bêbado não tem dono, não serve pra mim.
A praia, agora de poucos, é lustrada por um sol impenitente e bordada pela espuma que se derrete ao quebrar das ondas, que me faz lembrar do sonrisal que tomei ontem. Faz festa à vista. Prego uma mentira para o Eduard, assim ele se entretêm e cessa de regurgitar essa estória de destruição do litoral pela elevação das marés: Digo-lhe que o superpatrulheiro não viera conosco, pois estava num relacionamento ”dirty” com uma ricaça, que o levara numa Hilux quatro por quatro para Guarapari – Ela é tão rica que nem toma água, só scotch treze anos – Ele ri e nem questiona os treze anos. Sei que por boas frações de horas ele ruminará esta estória fajuta. A verdade é que o patrulheiro está na fronteira – sempre em alerta – servindo ao país. Fico assim em paz para lembrar da pândega e das pessoas que deixam as brincadeiras ainda mais divertidas na folia, fazendo assim um “upgrade” no nosso emocional.
Observo o horizonte do mar – retilíneo. Um barco de pescadores surge na cena, quase sumindo, cria um ângulo de felicidade. De súbito tenho vontade de caminhar até aquele longínquo barco. Caminhar por sobre as águas. Que doideira! Será o sonrisal? Sou apenas um comedor de feijão e às vezes de lentilha. O máximo que poderá ocorrer na tentativa será um corpo boiar, inchadão, dias depois. Milagre fazia a carteira do patrulheiro – o Meninão de Foz. Carteirada neles, Meninão!
Não é original essa minha idéia de andar por sobre as águas, mas se imagine andando sobre um mar encapelado, ou mesmo sobre o Rio Doce, com suas marolinhas! Será o sonrisal?
É, mas um camarada – conta-se e reconta-se – andou sobre um revolto mar da Galiléia. Mas ele não era homem de verdade – era um Deus. Um certo Pedro quis fazer o mesmo, e até andou, mas quando lhe faltou a fé, começou a submergir feito pedra. Sorte dele que o Deus estendeu-lhe a mão, prontamente.
Certa feita fiquei “pê-da-vida” com esse Deus. Pedi-lhe um milagre. Queria que ele também me estendesse a mão, afinal era o único Deus que tinha vez lá em casa. Pedi por aquele menininho de oito anos – desesperadamente roguei para que ele não morresse. Era um menino tão bom e inocente, me dava o maior moral e dançava “dancing queen” comigo na sala. Eu queria mesmo ser um cãozinho que pudesse comer as migalhas do banquete que caíssem da mesa daquele Deus e dos seus. Mas afundei. Não tive o milagre. Faltou-me fé? Não sei.
Tenho ponderado as coisas. Tenho visto corpos nas pistas e tragédias dantescas mais. O que dizer do tsunâmi? Pobre Indonésia – paraíso das desgraças. O que dizer da seca que assola a África Sub-Sahariana, com seus rastros em forma de sede, fome, morte e aguda vergonha para um mundo que gasta bilhões de dólares fazendo guerra? O que dizer da exacerbada violência, pejada de assassinatos de inocentes, que campeia em nosso país?
Se esse Deus teve de morrer de maneira cruel e desumana, se esse Deus teve de comer o pão que o diabo amassou com o rabo (figurativamente falando), tenho que aprender a me resignar com as vicissitudes humanas. Talvez o Deus tenha morrido e ressuscitado para isso: nunca perdermos a esperança.
Esta estória me deixa melhor. Por isso que me alegro até quando o destino me faz encaixar a orelha no bocal sem lâmpada, da banca de caipfrutas, quando tentei me esconder da chuva precipitada sobre os foliões, levando um choque elétrico de ver estrelinhas ao redor.
Concluo que não preciso andar por sobre as águas (literalmente). Preciso correr nesta areia. É o que tenho agora, e ademais a pança está saliente… Só não consigo é dançar sozinho na sala
►Visite “Torpedo Verbal”, As frases que foram parar nos jornais e revistas durante a semana. ( www.torpedoverbal.blogspot.com )
► Visite 100 Bananas (vídeos e assuntos variados) ( www.100bananas.blogspot.com )
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Publicado por joelrogerio em Fevereiro 7, 2007
“Aquele que conseguir, em meio à mais intensa cólera, sentir a própria respiração, será o que tem o mais alto poder de conquistas em suas mãos.” ®
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Certa vez, é era um quente dia, numa época distante em tantas manhãs e tardes, que nem sonhávamos com aquecimento global (eu disse sonhávamos?), meu Vô, o Seu Melquíades, trouxe da “venda” algumas dessas balas softs: redondas, coloridas e havia até transparentes – eram mais duras que rapaduras. O calor excessivo fez com que elas, embrulhadas em papel de pão, ficassem meladas e grudentas. Aquelas delícias redondinhas, cada uma com sua cor. De olhar já dava gosto. Caí dentro. Incauto, engoli uma sabor de uva – a minha preferida – e quase por causa disso, não vi chegar os anos 90. A partir dali, odiei e as alcunhei de “tampão”. Foi aterrador ficar com mãos meladas e com uma coisa sufocando, entalada, bem lá dentro da garganta, privando-me do ar. Aquilo foi para mim, tão horroroso quanto as balas perdidas e estupidamente gratuitas de hoje em dia. Balas soft – aquilo fora feito para matar as crianças. Só podia! Não soube de caso. Mas é lógico que houve.
Depois do sufoco, em que se passaram anos desse entalamento de goela e de mãos besuntadas e grudentas, tive uma impressão do episódio: ainda bem que perdi o gosto por aquilo – chupar, chupar, chupar e chupar um aperitivo tão duro e docemente ameaçador, poderia ter criando em mim, inocente criança então, certas condicionantes, ou injunções de ordem pessoal, que talvez hoje eu fosse uma prova, um elemento do espaço amostral, para justificar estatisticamente, que se Deus tivesse criado para o tal jardim do Éden, Adão e Evo, e não Adão e Eva, a idéia de paraíso não se perderia das bem-aventuranças.
Mas, calo-me aqui. Daqui a pouco me engasgo e fico grudado em “armadilha” conceitual-semântica, em um embaraço de idéias tentativamente verbalizadas.
Daí vão achar que eu seria a serpente melenta do Éden, que se arrastava no jardim, lá pelas virações do dia, maledicente e sagaz , que a pretexto de abrir os olhos do homem e da mulher, para serem conhecedores do bem e do mal, estaria a engasgar e a sufocar o razoável – oferecendo o fruto da árvore da ignorância: o preconceito. O que não. A verdade é que o meu desejo é só diversão. Ela me governa e me é quase irresistível não fazer um comentário sexista, mesmo que possa parecer politicamente incorreto.
Há saudosista que “ama de paixão”, a tal balinha soft. Chega dar até medo! Que seja assim, não se reprima, não se reprima… Deve-se ter o cuidado de não se engasgar.
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Publicado por joelrogerio em Janeiro 31, 2007
“Então o meu prezado amigo Delmo Guidoni, repassou-me um e-mail, com prioridade alta, assinado por um tal Laurent ROUSSERIE, da Assistant au Chef de Projet, para participar da Grande mobilização: Cidadãos contra a mudança climática! A Aliança pelo Planeta (grupo francês de associações ambientalistas) no dia 1 º de fevereiro de 2007. Instava a mensagem: Participe, um apelo simples a todos os cidadãos se dedicarem por cinco minutos à Terra. Então lembrei -me de um um domingo, era 12 de fevereiro de 2006.”
Na medida. Altas e alvas nuvens espalhadas, alternavam o branco com o fundo azul do céu. Quando acordei, fiz como os gatos e, instintivamente, estiquei-me todo e me despertei para o domingo. Domingo não pede cachimbo, porque fumar faz mal à saúde, todo bichinho de orelha sabe disso. Domingo dia do Senhor, dia de se contar as vitórias, dia de olhar o horizonte para não perder os sonhos.
O dia que nascera todo luz, parecia-me um chamado para comunhão, para o bem estar entre as pessoas. Comunhão entre os semelhantes – olha que coisa boa de dizer ! Assim fica mais litúrgico! Que os espíritos de porcos estejam nas trevas das noites passadas – desejei com dose inefável de alegria. Em falar de comunhão, lembrei-me do Mestre. Era para ter passado em Marismênia, no sábado à noite. Combinei que iríamos “jogar uma conversa fora”, afinal nossos “papos” ultimamente, restringiam-se a curtas frases ao telefone. Eu houvera esquecido completamente. “Masquei”. Tomo o telefone e ligo explicando-lhe os motivos.”Cansado, tempo sem correr atrás de bola dá nisso, a alma pede, mas o corpo nega, à noite nem dá pra sair”. O Mestre e sua sapiência, aliada a seus anos de experiência. E não como um sábio qualquer, compreende-me logo. “O corpo é a prisão da alma, Gordão.
Já reparou Gordão? Continou o Mestre, os bancos, que são todos de Judeus – esses espertalhões que dominam o mundo – não fazem mais empréstimos com prazo maior que sete anos.
Perguntei se ele tinha estudado o apocalipse de São João. Enfático me disse que João, quando escreveu aquele livro, delirava. Era prisioneiro na ilha de Patmos e debilitado fisicamente, escreveu alucinações. Coisa de fanático. Pasmado – fiquei pasmado. Mestre, você está cheirando droga? Se não está na droga, está possuído. João foi um homem Santo – Gorrrdão (apertando os erres), só me deixo possuir por garotas, e você é esclarecido, não vai dar uma de xiita do Islã, como no caso das charges do Maomé. Eles estão loucos, sabem que não há virgens nem mais no paraíso!
Mudei o assunto. Falei ao mestre que aguardava, com certa expectativa, a decisão da Taça Guanabara, à tarde, entre o glorioso Botafogo e o renascido América. Antes que concluísse que tinha simpatia pelos dois clubes, o Mestre foi cortando o barato com sua teoria conspiratória, dizendo que eu era um engolidor de Zagalo, e que esse negócio de jogo de futebol, era tudo armado. Sabia por um filho de um vizinho que trabalha no Rio, como repórter esportivo. “Ele é repórter e está por dentro de toda maracutaia”.
Deixei a razão com o mestre. Não me importava se o jogo era armado ou não. Mas se o mundo fosse acabar mesmo? Logo agora que ganhava sorrisos colgate das bonitonas, no Cooper da beira-rio? Agora que me tornara amigo do Calouro Sissi? Agora que me tornara colunista de “O Colatinista”. Agora que o atendimento do “Big Cat” tivera uma ligeira melhora, incrementando ainda mais a super-quinta? (Apesar do episódio do vôo rasante de uma vitaminada e lustrosa barata, que pousara no ombro de um dos dois rapazes malhadões sentados à uma mesa e os fizera dar uns gritinhos afê, entregando a rapadura. Não acredito que a cucaracha viera da cozinha – onde fazia uma boquinha – como alguns queriam crer – tenho certeza que ela surgira da rua). Não, não era justo que o mundo acabasse.
Tornei meu olhar para o céu do domingo. Tornara-se acinzentado. O Mestre o borrara.”
Na próxima vez que ligar pro Mestre, vou avisando sem tréguas: “Estou falando do além. Bati as botas. Só por isso não passei aí em Marismênia. Fica tranqüilo que logo você estará comigo. Não me pergunte como é aqui. A propósito, São João não é deste compartimento”. É bom se precaver, chegando aqui é bom ir logo beijando a mão de um tal Eduardo Viana, conhecido como “Caixa D’água”
♥ Blog: Uma janela para o mundo, infinitamente menor que a camada de ozônio, e com o buraco mais em baixo.
♪ Música: Will To Power, Baby I Love Your Way/Free Bird
☼ Vídeo Robbie Williams – Angel
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Publicado por joelrogerio em Janeiro 30, 2007
“Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir.” Machado de Assis
Já havíamos percorrido mais de légua. Não poderia estar errado. O homem que, com a foice em punhos, limpava o pasto à beira do asfalto, havia dito com todas as letras da sua simplicidade, que a entrada para Panorama era a primeira após a reluzente cruz branca, postada à beira do asfalto, que é ladeado de eucaliptos. Resolvemos parar e olhar toda aquela vastidão de grota. As taboas reverberavam à espetacular luz das dez horas, marcando verdejante o caminho do córrego Bley. O pasto, em setembro, é seco. Eram morros e morros estorricados. O gado se ajuntava a pastar o resto de verde na baixada onde havia uma porteira. Um casebre de aspecto secular, de estuque, telhado encardido, encravado, entre uma portentosa jaqueira e uma vistosa touceira de bambus, dava pista de humanos, brotando uma rala fumaça branca da chaminé.
Falei – “pai – vamos perguntar lá, se a gente está mesmo a caminho de Panorama”. “Ô de casa, ô de casa” – gritei. Saiu uma mulher com uma menina de uns quatro anos, grudada ao seu flanco esquerdo, segurada a um braço só. Meu velho deu bom dia. Eu disse olá. Solícita, disse que estávamos no caminho certo. Deveríamos passar pela porteira e subir a ladeira. Panorama estava a uns vinte minutos de pé – falou a dona da casa. Meu pai é do tipo que não se satisfaz com pouca conversa, mesmo que não venha à circunstância. Indagou a Marizete – assim que ela se chamava – se ela conhecia o Juarez, lá de Panorama. Ela respondeu que conhecia quase ninguém. Tinha chegado com marido e cinco filhos ali, na última “panha” do café, e ficaram pra cuidar do gado.
A “gastura” já me vinha. “Vamos embora, pai?”. Queria chegar logo no nosso destino. Pra mim, aquele carro empoeirado, aquela estrada de chão, aquela erma vastidão, era-me um mundo estrangeiro. Tomamos o rumo indicado, sem não antes ter que espantar uma vaca que, preguiçosamente, deixava sua obra em forma de um estrume mole, no rústico caminho.
Estava certo. A casa do Juarez tinha uma antena parabólica apontada para o morro que tinha um retalho de mata salpicada de prateadas imbaúbas. Era ladeada por um quintal de terra batida, que chamam de terreiro, com uma mangueira de uma altura pouco comum.
Ao barulho do motor do carro, saiu uma mulher de meia idade. “É aqui que morra o Juarez?” – perguntou meu pai”. É, mas ele não está em casa não – respondeu a mulher.
Meu pai puxou conversa, esticou conversa, desfiou uma lista de gente da qual ela sabia de todos e de alguns que até já haviam morrido. Aos mortos, sempre um espanto do meu velho: “Não me diga?” A prosa produziu alegria. A mulher lembrou de tudo. Ela era filha do Altoé e se casara com o Juarez. Meu pai disse que o mundo era pequeno. Eu pensei “Rio Bananal é pequeno”.
A senhora Amélia Altoé Grassi, convidou-nos para almoço. Agradecemos. Tínhamos pouco tempo. Tínhamos que passar na sede do município para resolver uma “papelada”. “Mas um café vocês vão tomar!” – Instou a generosa senhora. Um queijo curado num prato, noutro um verde (ela disse que era verde, mas era muito branquinho) e uma broa que derretia na boca, junto aos goles de café de sabor bom, que meu paladar desconhecia.
No meio da animada prosa, ouvi um pio de japira. De japira sabia que fazia um ninho de galhinhos e ciscos, numa forma de coador de café. Já fazia muitos anos que Romildo, um menino “encapetado” da minha escola primária, tomou um golpe de ponta de guarda-chuva, por ter zombado do afro cabelo da menina Gilcéia. “Ninho de Japira, ninho de japira, ninho de japira!” E o guarda-chuva pontudo fez brotar sangue do cangote do besta.
Pedi licença, queria ver a japira. Dona Amélia disse que a ave fizera o ninho na mangueira, ali no terreiro, que fosse lá que veria. Perscrutei galho a galho da alta árvore e, realmente, estava lá, muito mais belo que o cabelo do Romildo.
Retornando, estava a senhora mostrando o álbum de fotografia da família a meu pai. Uma bela filha, numa beca de formatura – “É a minha filha mais nova. Formou-se há dois anos e é chefe da enfermaria do hospital aqui do Bananal.” Noutra foto gente paramentada de casamento. Uma noiva divina. Era a filha mais velha, casada há cinco anos.
Guardou aquele álbum e retornou, um tanto triste, com duas fotos de um rapaz. Um rapaz de físico bem formado, talvez um metro e oitenta, por aí. Bochechas rosadas sob um par de raros olhos azuis. Com a voz cinzelada de nítido sofrimento, disse – nos que aquele era o Renzo, seu filho caçula. Há dois meses, vindo de uma festa à noite, pilotando uma moto, perdera a vida. Lá no asfalto, ladeado de eucaliptos, um pouquinho antes de entrar na estrada para Panorama. Era o morto da cruz branca.
Desde então, as cruzes de beira de estrada me dizem muita coisa. Mas não fico triste. Elas me dizem não corra Joel, não morra Joel. E soa como conselho de mãe. Leia o resto deste post »
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Publicado por joelrogerio em Janeiro 29, 2007
(…) Ao contrário do que anuncia o best-seller “Inteligência Emocional”, a verdade é o oposto. Não há inteligência emocional. A inteligência jamais procura a emoção. É a emoção que procura a inteligência. É a emoção que deseja ser eficaz para realizar o sonho. (Rubem Alves: É preciso aprender a brincar!)
Sonho, senhor autor de caminhos,
Põe-nos em trânsitos desalinhos,
Embarca-nos em julgados desatinos,
E contudo nos aporta em afortunado destino .
O sonhador cinge-se em graça luminosa – vira mago.
A vitória,
A vitória aparece no horizonte achado.
A vida em sonhos, alcança em braços longos, a boa medida.
A dose da plenitude chega a quem não se nega aos sonhos guarida.
Meninos chegam em casa,
Meninos chegam às ruas e avenidas,
Meninos chegam às praças,
Meninos chegam às praias
Imberbes amigos do sol
(Estão sonhando)
Meninos chegam sem portas.
Moldam sorrisos vivos,
E as tristezas estão mortas.
Rumam certos à gênese de dádivas.
E não é impossível chegar, se chega lá,
Seus carros são o coração, muito de esperanças pejado.
Ei, filhos da terra! Ei, filhos da terra!
Saibam disto que basta:
O homem tem o tamanho de seu sonho.
Prenhem-se de sonhos.
Quem não os tem vegeta !
Ei, filhos de sonhos,
Ei, filhos de sonhos!
São príncipes, são reis,
Que traduzir em palavras,
Restam inúteis idiomas, mesmo o versátil português.
Se chover turva chuva e embaçar o horizonte,
Mesmo assim, sem tristeza se espera.
♥ Blog de luxo! Ferro com Fogo é Faísca. Mas também é um luxo de blog!
♫ Maria Bethânia: Brincar de Viver
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Publicado por joelrogerio em Janeiro 19, 2007
Podem me achar ridículo (ridículo mesmo é quem não é feliz), mas o Seu Madruga mandava uns “papos maneiros”, e eu não via coisa de maior valor: “Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar”. “Quando a fome aperta, a vergonha afrouxa…” “A vingança nunca é plena: mata a alma e a envenena”. E pra não ficar citando tanto (de novo), paro numa divertidíssima: “Dá uma licencinha que o Madruguinha vai tomar um cafezinho”. Pois aquele menino pobre e órfão que morava num barril, numa vila em que todos os personagens eram em maior ou menor grau, pobres, enriqueceu de alegria muita gente que não tem alma pequena, nesta esta América latina. Mas agora aparece um outro Chaves na TV. Acho que vou comentar um pouquinho sobre ele (“está bem, mas não se irrite!”). Pois o coronel Chavéz também já teve um “poquito” da minha simpatia, principalmente porque as classes dominantes da Venezuela, e o governo dos EUA, que considera a América Latina como seu quintal, nunca aceitaram o tenente-coronel Hugo Chávez no poder. Fato que me trouxe simpatia ao Coronel, foi a resistência popular à tentativa golpista, liderada por Pedro Carmona que defendia uma política de interesse próprio, intimamente ligado aos Estados Unidos. Mas não teve pra ninguém, a voz do povo Venezuelano colocou os cachorros para fora a gritos e o Chavéz voltou ao Palácio Miraflores.
“Pi, pi, pi, pi, pi, pi…” (choro). Deu agora, o Senhor Chavéz, para abelhudo, para mandatário da América Latina. Metendo a mão em tudo (melhor que se escondesse num barril). Não bastasse o incidente com Vicente Fox, presidente do México, arrumou confusão com o Peru. Pois o Presidente da Venezuela reservou a Alan Garcia, insultos que nem moleque de rua faz a outro: “Corrupto. Sem vergonha. Ladrão. Ladrão de rua”, discursou Hugo Chávez. E ameaçou retirar o embaixador de Lima se, disse ele, “por obra do demônio”, García vencesse Ollanta Humala no segundo turno, e pra arrematar a sua inconveniente arrogância, emendou: “Como poderia conversar com um presidente enquanto ele fica de olho na minha carteira?”, perguntou Chávez, acusando García de ser ladrão. E teve aquela proposta do Chavéz de construir um gasoduto saindo da sua Venezuela, passando pelo Brasil de norte a sul, até a Argentina, e ele com a mão na torneira do gás. “Acabaria com a pobreza e tiraria os meninos da rua em São Paulo, Rio, Caracas, Buenos Aires – esse é o argumento dele. (Engraçado, se não me engano o custo deste gasoduto seria de 40 bi). Como diria “o meu Chaves”: “Que burro, dá zero pra ele!”
Reeleito para o seu terceiro mandato, prometendo metrô e investimentos em saúde, Hugo Chavéz anunciou no discurso de posse que transformará a Venezuela num Estado socialista. “Pátria, socialismo ou morte. Juro”, cunhou ele. Desonestidade, astúcia pura. Nem na China se fala mais em socialismo. Num ambiente de crescentes incertezas que se tornou a Venezuela, nenhuma empresa privada tem ânimo de investir. O que resta a Chavéz é estatizar. Por trás do socialismo chavista há o golpismo que fere de morte a democracia. Ou alguém já conseguiu conceber socialismo com democracia? A malandragem do coronel já começou a deixar até os seus eleitores fanáticos assustados e a com orelha em pé.
O Chávez é muito diferente do menino Chaves, que passava a maior parte do tempo atormentando a vida da vizinhança, mas não como o outro, pois era brincando, e era sem querer querendo. Mas a verdade é que ninguém tinha paciência com ele. O garoto do barril também era um menino sonhador, amigo e companheiro de todos. Sempre procurava ajudar aqueles que passavam por dificuldades, mesmo muitas vezes não tendo meios para fazê-lo. Em alguns episódios ficava clara a solidariedade com a pobreza de Seu Madruga, e não é raro vê-los compartilhando sanduíches ou mesmo um refresco. Pena que era apenas um seriado na TV.
Agradeço pela leitura deste texto. Assim não posso dizer “Ninguém tem paciência comigo!”
Esse texto foi publicado originalmente no jornal “O Colatinista”, de 18 de janeiro de 2007
♪ Música: Gente Humilde, Artista: Maria Bethânia
♠ Blog Jesus me Chicoteia: Sem fé, mas um dos melhores da blogosfera.
☼ Vídeo: Abertura do Chaves
☼ Vídeo 2: Hugo Chavéz estarra George Bush, o “Mister Danger”. Tudo num inglês impecável!
☼ Vídeo 3:* Celular multitarefas - Hilário!
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Publicado por joelrogerio em Janeiro 16, 2007
A verdade é tão difícil de contar. (Hercule Poirot, o mais famoso personagem de Agatha Christie (1890-1976))
Durante um ano e meio aquele homem se revelara outro. Não era nada daquilo que o Sargento Ellis esperava. Ellis viu o que ninguém mais pôde ver. O homem escrevia poesias e quando pôde caminhar por um jardim, alimentava os pássaros com as cascas de pão que guardava. Regava os canteiros com o mesmo zelo e apreço de quando labutava na sua juventude como camponês – Ele disse certa vez que nunca esquecera de onde viera. Compartilhava, também com o Sargento, de saudosas memórias de quando os seus filhos eram pequenos, lembrava de quando contava histórias para suas filhas antes de dormir. Apesar de saber que seus dias estavam contados e que ali em Campo Cooper era um prisioneiro, não reclamava de nada, exceto quando havia legítimas razões para isso. Teve um momento em que ele reclamou, abstendo-se de comer, pois o alimento lhe era servido por debaixo da porta. Quando eles passaram a abrir a porta para levar o alimento, ele voltou a comer. “Ele se recusava a ser alimentado como um leão”, disse Ellis.
Era trabalho do Sargento enfermeiro Robert Ellis mantê-lo vivo e com saúde, para que eles pudessem matá-lo num momento posterior.
Foi em entrevista dada ao jornal americano St. Louis Post Dispatch, que sargento Robert Ellis, de 56 anos, deu detalhes sobre os últimos meses de vida do ex-presidente iraquiano na prisão – que era chamado de “Victor” entre os militares no campo – situada na região norte da capital do Iraque.
Quem adivinharia que o prisioneiro da prisão de Abu Ghraib, em Campo Crooper, tratava-se de Saddam Russein? O homem acusado de genocídio e notório por uma atrocidade tamanha. Pois era o mesmo senhor afetuoso e jardineiro, que respondera à pergunta do seu interlocutor e colaborador sobre a eficácia das armas químicas, quando ele com membros do partido Baath tramavam a operação Anfal. “Senhor, isso extermina milhares?”, perguntou o colaborador do partido. “Sim, extermina milhares e os impede de comer ou beber, e eles terão de desocupar suas casas sem levar nada com eles, até que possamos finalmente eliminá-los”, respondeu Saddam.
A despeito disso tudo, que não é pouco, é inevitável que não conjecturemos sobre a natureza humana. E parece que o homem é potencialmente apto a ser um genocida insensível que espalha terror e morte pelo mundo ou ser um jardineiro de mãos sensíveis que pode colorir e perfumar o ambiente a seu redor com generosas flores. Parece que há de fato uma maçã dourada que parece apetecível e uma serpente que se esforça em encantar o homem a pegá-la. O Saddam a pegou, o Bush a pegou e quantos loucos ainda a irão pegar? Se fosse diferente teríamos mais um jardim florido em Bagdá e talvez, um também no Texas.
♠ Blog brother de Cuiabá: Oscar Luís, “O Primeiro Blog a gente nunca esquece!” . O segundo também não, desde que seja Flainando na Web.
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Publicado por joelrogerio em Janeiro 10, 2007
Veja as páginas da revista,
De fotos e matérias
Nesta semana traz notícias da guerra..
Página a página o vermelho organoléptico.
Estranhos homens de olhos e dermes e semblantes pétreos
Em inversa festa.
Mísseis pontilhando o velho céu:
A luz que não quero,
A do espetáculo bélico.
Esqueceram da lua, que não causa seqüela
Das páginas do outro mundo,
Como se fosse outro o oriente médio.
Oh Deus, isso tudo e eu aqui a ver a revista
Na paz e silêncio da biblioteca.
۩ Blog do momento: Fuga (Com possibilidade de perdição)
♪ Making April – These are the nights ( Uma ótima novidade).
¤ Video:Be a good role model for our children (Vídeo muito legal que mostra como os adultos influenciam as crianças)
☼ Imagem: A imagem mais triste que vi na minha vida e que me faz chorar. (Imagem chocante, o melhor mesmo é nem ver)
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Publicado por joelrogerio em Janeiro 4, 2007
“Nossa vida é uma comédia: ninguém repara se foi longa, e sim se foi bem representada.” Sêneca
Era o final do mês de maio. Naqueles dias, confesso, estava extenuado. A semana toda tendo de ver a cara deslavada do Paulão Morcegão, ou Borboleta, como alguns o chamam. Sem falar na insalubridade que é tolerar o Levi e o seu derrame verbal, fazendo tentativas para dar valor e forma a idéias que só ficam bem na imaginação de quem acredita em gnomos, saci-pererês, mulas-sem-cabeça e que um time carioca iria ganhar o brasileirão daquele ano de dois mil e três.
Para quem se submete a dias de cão, uma sexta-feira à tarde é prenúncio de absolvição. E o sábado é dia de, inevitavelmente, ir para o “Fight”.
Saindo da casa lotérica, ao cumprir a única obrigação das manhãs de sábado: Uma fezinha na mega-sena acumulada, o celular tocou. Minha nossa, é o Tim Capota, conhecido de antigos carnavais – Godão, vamos pro Kaska – Kaska ? – respondo eu – É Godão, aquele lugarzinho onde as pessoas se alegram, mesmo que não seja verão. Godão, já mandei fazer uma ave galinácea no grau, ‘tá alinhadinha!, fala aqui com Simonassi – Alô Godão! – Fala Cabelo-de- Lobo! – Vamos pro Kaska, o Dudu Leão e o Mestre também vão, vê se não bate fofo – Pô Cabelo-de-Lobo, quando foi que bati fofo?
Resolvi levar o Diligero comigo, o bacana estava gracioso e cheio de energia e já parecia com o dono: jeitão brabo de ser, nos seus cinco meses de vida. Ia babando o vidro do carro e latia quando via uma fêmea interessante. O Diligero é o meu Pitbull. Ganhei o bicho do meu amigo Maurício Manieri, quando passou por Colatina para fazer um show em Barra de São Francisco. O Manieri dizia que o Pitbull era a minha cara. E resolveu trazer o filhote de São Paulo para me agradar. Aceitei o presente de bom grado, afinal o Bizonga têm um Poodle, O Kito Barbieri tem um Chiuaua, o Kiko Casoti um cachorro que morde ele, o Delmo Guidoni tem um porquinho-da-índia e o Gilberto Gil tem um ursinho de pelúcia. Então posso ter um Pitbull.
Ria feito só a ele mesmo, o Dudu Leão, só porque descobriu que o Mestre tem medo de minhocas e que nunca vai a pesque-pague para pescar, só para ver garotas. O Dudu Leão é sempre assim, muito alto-astral e cara de pau e sonhou em ter a Marciele, a Marcilene, a Marilene e a Marilzete em seus braços na noite da Jufest do CEFETES.
O Mestre, há muito não o via. Ele não tinha mudado nada. Apesar dos oitenta anos, mantinha um corpinho de cinqüentão. Dizem que o seu segredo de longevidade estava no uso da geléia real. Um alimento natural que as abelhas jovens secretam para alimentar a rainha, e que é um notável regenerador das funções vitais.
O valor que eu dava ao Mestre estava no seu destemor (com exceção às minhocas). Lembro-me bem do dia em que um desgarrado enxame de abelhas africanas fez os moradores do bairro Maria das Graças ficarem apavorados, inclusive a cadela da minha vizinha não resistiu às picadas letais. O mestre foi convocado para dar cabo àquele pandemônio. Precisam ver aquele ser longevo, embrenhado na copa de um Fícus, completamente tomado pelo abelhal. Eu dizia – Mestrinho, cuidado com o ferrão. – Ele respondia: – Ferrão que é bom Godão! Ferrão que é bom Godão! – E eu retrucava solenemente – ‘Tô fora mestre!!!
Ele capturou a rainha, salvou a população do mal e foi aplaudidíssimo, inclusive pelo corpo de bombeiros que assistira a tudo bestializado.
Pois ele estava lá no Kaska, e entre nós, de cabelinho espetado, e aquele riso que lhe conferia um ar de indecente. Estendeu-me a mão com leveza, cabendo a mim apertá-la, num gesto que nada lembra um herói. A última imagem que tinha dele foi a de uma fotografia digitalizada que o “Rei Val Bonna” mandou-me pela Internet. Sem camisa, com “pneuzinhos” salientes na cintura e um olhar perdido num copo que tudo levava a crer que fosse cerveja, lá no apartamento de Itapuã. Pois é Gordão – falou o mestre – cadê o Gripa e o Dag ? – Ah, Mestre – respondi – Estão estudando na capital. – E o Suela? – continuou ele – O Suela está em Viçosa para ser Doutor, e continua com aquela vida de promiscuidade que lhe é peculiar, respondi. – Pois é Gordão, temos que por em prática aquele meu plano de trancarmos o Dag e o Gripa numa casa, com umas garotas da pesada, que gostam de explorar todas as possibilidades do prazer físico – Stop, Mestre! – interrompi-o – Não quero por a vida de ninguém em risco de morte!!!
O nosso diálogo foi interrompido pelo Kaska. – Olha, tenho uma bebida aqui no meu Não-pesque-pague que é sucesso de crítica e de público, já recebi turista até de Brasília para experimentar. Ë feita da raiz de uma planta chamada salutra, planta que só há naquela mata, além daquele cafezal conilon. – lá onde a gente vê umas imbaúbas – atalhou o Cabelo-de-Lobo Simonassi. – É sim, conferiu o Kaska. Continuando a conversa, o Kaska disse que a planta tinha o poder de abrasar o homem. Não entendi o que ele queria dizer, mas notei que despertou o interesse do Mestre. E continuou a enumerar as propriedades terapêuticas da planta, mas nem escutei mais, pois minha atenção fora subtraída por algo, que brilhava longínqüo , num céu completamente azul, que me pareceu uma pipa de alguma criança.
– Olha aqui Godão – falou o Dudu Leão – tirando-me das abstratações – Você quertomar a salutra? – Uma dose só Dudu – Disse eu – Se Você vai beber, acho que também estou afim! – Nisso o mestre interrompe dizendo para o Kaska lhe reservar uma garrafa. Afinal aquilo era um abrasador!A salutra nos foi servida em uma cuia feita do côco e tinha um aspecto de musgo batido em liquidificador. O Kaska disse que era servido numa cuia para dar um ar assim tosco e natural, harmonizando assim com o ambiente local. Imaginei: Esse Kaska só pode gostar de um machinho! Isso é coisa de gente fresca. Numa coisa o kaska tinha razão de dizer: o ambiente era realmente tosco. Uma tosqueira só.
No segundo gole senti um amargor que as minhas papilas jamais tinham sentido. Nem boldo, nem carqueja, tampouco losna amargavam igual. Notei que algo estava errado quando Cabelo-de-Lobo esbugalhava os olhos e soltava uma espécie de uivo que até assustou o Diligero, que se divertia querendo pegar as galinhas que ciscavam ao largo do gramado. A estranheza continuou quando ele me inquiriu:– Godão, se eu pegar uma “basôra” você barre o guspe do Kapota?– Craro, só se for pra ônti! ‘Ce sábi que meu nômi é trabaio!– Falô, seo trabaio, te conheço desde quando na FASCEX* tinha um zoológico.– Pois é né !? As coisas não mudam tanto assim!
Sempre gostei de um rico vocabulário. Mas notei que aquela bebida tinha nos reportado à cultura de nossos ancestrais, que vieram dos confins para este sul de mundo, devorar, poluir e barbarizar. Conversa semelhante só tinha ouvido do Lemãozinho Daniel, que inclusive ficou chateadíssimo um dia, porque joguei um dicionário no peito dele. Mas tinha que fazer isso, já não tinha mais paciência de ouvir frases tipo uma em que ele falava que o Tio dele era “histérico”– não podia ter filhos. Aí, eu é que fiquei histérico e atirei um aurélio de cinco quilos p’ra cima dele. Mas o papo do Cabelo-de-Lobo era apenas curtição “nonsense”.
O astral foi ficando “grease“. Dei uma “esticada” no banheiro. Pelo espelho enxerguei meus olhos em brasas. Estavam abrasados. Aí entendi o que o Kaska queria dizer com abrasar. Não adiantava tapar o sol com a peneira, era hora de dar tchau!– Bem gente – fui avisando – tenho que ir, já me abrasei o bastante!– Nós vamos também Godão – falou o Capota.
Estranhíssimo que num piscar de olhos todos sumiram. Pensei que estava sob um surto psicótico. Entrei no possante “Corcel das vastas emoções”, tendo o zelo de bem acomodar o Diligero. Se tudo corresse bem, em dez minutos estaria no Córrego do Ouro. Mas num aclive da estrada de chão batido, o veículo foi abruptamente suspenso por uma força avassaladora. Num esforço de visão vi o que parecia ser uma grande nave, como aquela do filme Arquivo X. O que me deixou passado foi ver um anúncio bem luminoso na concavidade inferior do OVNI que dizia: ” CEFETES, a sua escolha para o futuro.”fiquei bestializado, pela razão de conhecer esta escola de cursos e realmente achar muito boa…
À medida que ia sendo drenado para dentro da nave, ia perdendo a consciência…
Recuperei a consciência, sentindo uma mão fria na região pubiana e com o carro fazendo um giro de trezentos e sessenta graus na pista arenosa. Com muita dificuldade consegui controlar a giratória, direcionando o carro para uma moita de capim colonhão. Olhei para o lado e notei que meu cachorro Diligero havia desaparecido e no seu lugar estava o Lemão Luxinger, sem voz, sem cor e também sem vergonha na cara!
Soube, mais tarde, que Capota, Cabelo-de-Lobo Simonassi, Mestre e Dudu Leão foram raptados por uma força igualmente sobrenatural e como num teletransporte, foram deixados no Bar Eucaliptos, na BR que liga Colatina a Baixo Guandu.
Não relatamos esses fatos até agora porque as pessoas têm uma tendência natural em descrer na verdade. Certamente seríamos motivos de troças de toda comunidade.Por alguns dias posteriores, cheguei a cogitar que a salutra tivesse promovido um desarranjo mental coletivo, causando esses fatos somente na nossa imaginação. Mas e o Diligero? E porque aquele Lemãozinho estava no meu carro? Pois os extraterrestres transformaram o meu estimado Diligero no Luxinger, causando-me prejuízo. Diligero não fumava, não bebia alcoólicos e não tinha a lingua “plesa “.
♪ Artista: Maurício Manieri, Música: Bem Querer
¤ Vídeo: This Puppy Dreams He’s Running
♠ Blog: Manipulação: Um primor de blog
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